Sou jornalista, professora e Mestra em Letras Literaturas. Produtora audiovisual. Aqui literatura e jornalismo se (com)fundem nesse (com)texto. Ensaios, reportagens-conto, crônicas publicadas e outros repertórios que culminam no passeio pelos bosques das artes, das folhas de jornais, da música, da cultura, dos livros...
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Jabuticabas, fotos e ovos de Páscoa
Pretos e intensos, grandes como duas jabuticabas. Assim são os olhos de Maria Eduarda dos Santos, 6, a menina que me encantou na tarde desta terça-feira (15) ao me dirigir até o interior de Pato Branco para visitar a sua Escola Rural Municipal Passo da Ilha. Ao lado da amiga inseparável, Patrícia, 7, ela cantou "Não foi o coelhinho que morreu na cruz, quem foi crucificado foi o meu Jesus". Conversamos muito, fizemos fotos e (re)nasceu ali as vivências de uma menina feliz, que sempre fez "ninhos" à espera do Coelho de Páscoa. Abraçadas primeiro a mim e, depois às suas cestas com ovos de chocolate, elas saltitavam felizes pelo ginásio de esportes que acolheu sua escola após o incêndio sinistro de 2013. Amo esta profissão.
terça-feira, 1 de abril de 2014
CRÍTICA LITERÁRIA: Definições de “Gravidade”, o filme
Fragmentos de satélites e chuvas de meteoros invadiram nosso último fim de semana de março de 2014, quando vimos "Gravidade" (2013, Alfonso Cuarón, Warner Bros.), pela segunda vez. Conheci o filme ainda antes das badalações do Oscar 2014 (sete estatuetas: melhor diretor, para o mexicano Alfonso Cuarón, trilha sonora, efeitos visuais, fotografia, mixagem de som e edição de som, além de montagem, feita pelo próprio diretor. Foi a primeira vez que um diretor da América Latina levou o prêmio) -, quando cometemos um erro: assistimos numa péssima qualidade de imagem que me deu até sono, quando o que causa Gravidade, na real é o pânico e expectativa que passamos a vivenciar com os astronautas - vividos por Sandra Bullock e George Clooney - à deriva.
Gravidade é um filme para ser visto em alta definição e assim o (re)fizemos. O arquivo em full HD rodou numa Sony 40 polegadas, que fez toda a diferença. Desta vez, não vi sono, mas sim detalhes que passaram despercebidos em nosso primeiro encontro. As definições que vemos nesta obra é, acima de tudo, sobre a vida da dra Ryan Stone, que foi para o espaço sem motivos para querer estar na Terra. O leitor da obra chega sozinho à conclusão de que sua vida pessoal chegou a um caos grave, nem mesmo a filha de quatro anos a prende. Morrer, de repente, parece “simples assim”.
Lá no espaço, com sua nave totalmente destruída, quando imersa naquela escuridão espacial, vem o convite implícito para definir pelo “nada”. O incrível da obra é que neste mesmo vazio universal é que a engenheira encarregada da missão especial “define" que quer viver. Com as orientações do experiente Matt Kowalksky (G.Clooney), que traz para as cenas as típicas histórias da juventude que fazem esquecer tempo e espaço, ela flutua para a necessidade de sobrevivência. Gravidade é muito recomendado não só pelas sete estatuetas, mas por ser um filme que mexe com nossas raízes, e motiva aquilo que definimos como “certo” na vida: viver! E claro, assistir em alta definição é "definitivamente" indicado. Gravidade se levanta de nosso peito naturalmente quando o tríceps força a areia. Nesta hora, sentimos com Stone o poder do flutuar em si mesma.
Pato Branco-PR, 1 de Abril de 2014.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
CRÍTICA LITERÁRIA: Convivendo com Game of Thrones
Encantada pelo universo medieval, boas horas de leitura fluída que tenho conquistado são mergulhadas neste portal criado pelo escritor estadunidense George R.R.Martin. Neste artigo, após concluir a leitura de Guerra dos Tronos, faço uma
crítica literária que estabelece um diálogo entre os capítulos e as cenas, já
que a obra também virou seriado
Diante de um livro com mais de mil páginas dá uma satisfação em saber que as últimas 300 li num mesmo domingo – em que pese haver mais quatro irmãos do mesmo autor, um deles com mais de 1.400 páginas. Ganhei Games of Thrones no aniversário, pouco antes de entrar a primavera de 2013, mas só consegui começar a lê-lo, de fato, uns dois meses depois, pouco antes da viagem de férias, quando nas tardes de veraneio com maresia na ora que o sol a pino e proximidades impedia a exposição da pele, percorria de 100 a 200 páginas e suas casas. Foi só após o retorno para casa e para a vida, mais organizada no ano que se iniciava, que mergulhei na página 300 adiante. Entre as batalhas diárias que travei com os afazeres, houve um tempo em que o pegava para percorrer míseras dez páginas, o que se tornava impotente para concluir um único capítulo. Não por não ter sido ferroada pelo doce da história de George R. R. Martin, 65, mas por ter outras demandas desse mundo de outrora a cumprir.
Mas se a
biografia do autor dão informações como: ele levou seis anos para fazer cada
obra (tenho em mãos a coleção da Editora Leya, com tradução de Jorge Candeias - a edição limitada da caixa, impressa em outubro de 2012), posso afirmar com assiduidade que se pode ler Game of Thrones (GoT) folgadamente em um mês
ou um pouco mais, persistentemente em duas ou três semanas, se só fizer só
isso. Convivi muito com a obra em janeiro de 2014, embrenhando-me em florestas,
subindo montanhas, apalpando pedras de castelos, fazendo uma leitura profunda
das descrições de personagens, espaços, tempos ora medidos pelas “salutares” e
peculiares refeições, ora pelos castigos nas masmorras.
Coloco-me, a
partir de agora, a avaliar em minúcias a obra um de George R.R.Martin,
incluindo as comparações que vi até agora no seriado produzido pela HBO, com as
devidas adaptações, demonstrando meu deslumbramento pelas construções “martinianas”.
Quando me
faltava ainda as cabalísticas 66 páginas para concluir, tive o impulso na pausa
da página mil e a ida ao banho, quando a água limpou a mente e fez surgir o
esboço que abre esta crítica literária. Conclui o livro já com avarias nas páginas,
uma leve orelha e algum amassado na capa, devido às centenas de vezes que abri
e fechei esse portal medieval que sinto tanto me completar.
Entre as
nuances da obra literária com a televisionada, passo a descrever minhas
impressões sobre cada um destes tópicos:
A história
de Daenerys é contínua e única, dividida para o livro;
Meus personagens prediletos
As
diferenças na(s) ferida(s) de Eduard "Ned" Stark
A noite de
amor de Khal e Khaleesi
A subida ao
Ninho da Águia
A Espionagem
e tragédia de Bran
A fidelidade
em Jon Snow
Sansa não é
tão sonsa
Cenários
Etc...
(Este é um artigo em construção... a qualquer momento, novas observações)
A história de Daenerys é contínua e única
A narrativa que envolve a menor Daenerys
é tão intensa e contínua, que já fui levada a pensar que George R.R. Martin
escreveu seu romance como uma obra à parte de Porto Real e Winterfell e,
depois, só a pulverizou pelo livro 1. Claro que essa é uma impressão sustentada
só no livro 1 e até a metade. Basta começar lembrar do Targaryen rei, dos bebês
raptados e mortos, para perceber a ligação tão profunda dela com o trono de
ferro. Você torce o livro todo, mas principalmente na série, para que ela seja
proclamada rainha. Daenerys no trono de ferro é quase surreal, já que só vimos
idiotas lá até o findar desta obra. Sabemos ser a “guerra dos tronos”, mas sua
personagem me é sublime demais para querer só isso.
Quando Aemon, o Senhor Comandante da Patrulha
da Noite revela a Jon Snow seu sobrenome e o peso Targaryen do antigo rei,
queremos mais ainda que Daenerys avance como Khaleesi e detenha o poder, até
porque ela vem como uma rainha justa, libertando os seus escravos. O desfecho
para Dany no livro 1, após todo aquele sofrimento de perder o filho e o marido
lhe é justíssimo e causa muita expectativa espantosa ao leitor. Impressionante
a cena no seriado HBO. Intensa, eletrizante. No livro, é um “deleite”, com
duplo sentido, já que os dragões lhes estavam grudados nos seios repletos de
leite, o que ficou mais leve na versão televisiva. Deleite que só cresce ainda
mais à medida que esperamos os animais se desenvolverem. Esse aumentar de
tamanho vai multiplicando também o poder de sua rainha (aqui já adiantando a
obra 2 adiante... já em leitura). Khaleesi, na série é bem mais madura e, por
isso, firme.
A noite de amor de Khal Drogo e Khaleesi
Quanto às adaptações de cena, saliento
a primeira noite de amor de Dany com Khal Drogo, que não se fez de tristeza com
o toque de brutalidade como na série, mas foi romântica, de fato, após a
cavalgada. Ela admirou Khal desde o primeiro momento e se deu a ele como sua
mulher também desde o princípio, e ele, se deu a ela como seu homem. O capítulo
em que ela destrança seus cabeços, tocando e abrindo seus anéis de guerreiro
que nunca perdeu, se sobressaem à necessidade da cena onde Khal demonstra sua
superioridade masculina.
(...) Drogo tocou-lhe levemente os cabelos, fazendo
deslizar as madeixas loiro-prateadas entre os dedos e murmurando suavemente em
dothraki. Dany não compreendeu as palavras, mas havia calor na entoação, uma
ternura que nunca esperara daquele homem. Pôs um dedo em seu queixo e
ergueu-lhe a cabeça, para que ela o olhasse nos olhos. Drogo erguia-se acima
dela como se erguia acima de toda a gente. Pegando-a agilmente por baixo dos
braços, ergueu-a e sentou-a numa rocha arredondada ao lado do riacho. Depois,
sentou-se no chão diante dela, de pernas cruzadas sobre o corpo, com o rosto de
ambos ao mesmo nível. (MARTIN, 2012, p. 138)
E olha que este capítulo de amor é no
que podemos chamar de começo do livro, eles se amariam muitas e muitas vezes ao
longo das páginas. E quando Dany aprende as artes do amor com suas aias,
enquanto a cena soa com certa insegurança de alguém que quer ter voz e vez, no
capítulo vemos uma menina ganhando, de fato, o coração de Drogo e, de quebra,
de todo o Khal, já que eles se amam na frente de todos, sob o luar. Estas
observações não são uma crítica à interpretação de Emily Clark, que é brilhante
e linda no papel, mas observação quanto à forma como a cena foi tomada.
Claro que a essa altura deu para
perceber que Daenerys é uma de minhas prediletas e, com ela, o anão Tyrion Lannister,
Arya Stark, Jon Snow e seu amigo Samwell
Tarly, além de Jaime Lannister, estes últimos secundários, é verdade, não há narração partindo deles, contudo,
enxergo em Sam e no Regicida, potencialmente, características complexas.
(Escreverei mais
sobre isto)
Cenários
Que dizer dos cenários espetacularmente descritos e tão bem compostos
para a série. Agora me atenho, por exemplo, à subida ao Ninho da Águia, no
livro 1, cujo momento na série passou praticamente em branco. Enquanto rolamos
diversas páginas para chegar ao topo do ninho, em minutos, da captura de Tyrion
por Catelyn, praticamente já no alto do castelo, apresentando-se a Lisa Arryn.
Quantas brilhantes construções, pedras, íngremes subidas, mulas, técnicas que,
se transportadas à cena, tornariam o seriado excessivamente caro em figuração e
cenário. Mas o quanto se perdeu sem mostrar essa técnica. No seriado, o único
sentido que fazia quando o menino mimado Robert Arryn afirmava que queria ver o
homenzinho voar, se fez com a abertura daquele poço, o buraco no meio da sala,
que no capítulo da luta sem tinha. Esta, ocorreu no jardim, ao redor da
estátua, isto sim.
Ainda os telhados de Winterfell, local onde os ávidos pezinhos de Bran correm antes da queda. Queda que, por sinal, foi um tanto diferente no capítulo, em vista da cena. Neste, Bran escutou, de fato, uma conspiração dos gêmeos contra seu pai e havia corrido muito sobre o castelo até chegar no alto onde Cersei e seu amado irmão loiro estavam. Na cena, ele escala só aquele muro e já chega a eles.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Christoferson Agência apoia projeto de cinema aliado à senso crítico
Cinema é uma de nossas paixões e como sócios da Christoferson Agência Audiovisual, Lucas Piaceski e eu estamos engajados no projeto Mater Cine, que consiste em aliar cinema a debates de senso crítico, para obras que permitam lançar um olhar artístico, sociológico, filosófico, ético, educacional, e tantos recortes que fazem a vida valer a pena.
Os conhecimentos cineastas de Lucas como arte-finalista, editor de imagens, músico e compositor e os meus como jornalista e professora com formação em Literaturas em Língua Portuguesa entrarão em ação na hora de preparar os thrillers e a ficha técnica dos longa-metragem em cada módulo.
Apoiamos o projeto por incentivar a cultura e a arte. Sempre acreditamos que o direito autoral deva ser não só preservado, como divulgado, por isso, a direção de cada filme, elenco e enredo, estarão em foco nas nossas divulgações. É preciso contribuir para que a sociedade possa apurar o olhar para o cinema. Nós que produzimos audiovisuais sabemos reconhecer o valor de uma boa direção de fotografia e direção de arte. Por isso, estamos juntos com a Faculdade Mater Dei nesta, não só por serem nossos clientes de Assessoria de Comunicação na agência, mas porque acreditamos nesta causa!
Leia o texto que produzi sobre o projeto e já enviei para a imprensa e conheça em detalhes essa ideia:
Mater Dei inicia ano acadêmico lançando projeto de cinema aberto à
comunidade
Mater Cine é o seu nome, e a primeira
sessão já tem seus quatro filmes selecionados, com abordagens bem distintas: “A
Onda” (2008), filme alemão dirigido por Dennis Gansel e estrelado por Jürgen
Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich e Max Riemelt - inspirado no livro
homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da
Terceira Onda; “Justiça para Todos”, dirigido por Norman Jewison, com Al Pacino
vivendo o advogado idealista Arthur Kirkland, que já teve vários
desentendimentos (inclusive já foi preso por desacato) com Fleming (John
Forsythe), um inflexível juiz, o qual é preso e pede para ser defendido pelo
próprio advogado rival; “Kevorkian”, dirigido por Barry Levinson, igualmente
com Al Pacino, desta vez vivendo o médico estadunidense Jack Kevorkian, que
ficou mundialmente conhecido como dr. Morte ao ajudar pacientes de câncer
terminal a cometerem suicídio; “A Corrente do Bem”, dirigido por Mimi Leder,
com Kevin Spacey e Helen Hunt, onde um professor desafia seus alunos a ter uma
ideia para melhorar o mundo e colocá-la em prática.
Isto mesmo, quatro filmes exibidos
durante um semestre acadêmico, seguidos de muito debate. Essa é a proposta do
projeto que nasceu dentro do curso de Direito da Faculdade Mater Dei, trabalhada
internamente no ano de 2013, quando se estendeu para todos os cursos da
faculdade, bem como para a comunidade. As exibições vão acontecer no Auditório
Algemiro Pretto e a data exata do primeiro módulo será divulgada em breve, tão
logo o reinício das aulas, no próximo dia 3 de fevereiro.
Concepção e temas
Chegar a estes quatro primeiros longas
gerou muito senso crítico. Os idealizadores, professores Valmir Chiochetta
Junior, coordenador do curso de Direito, Cléber Rigailo e Liriane Camargo,
fizeram, cada um, uma lista com 50 indicações. O segundo passo foi fazer a
comparação das três listas. Posteriormente, essa lista foi reduzida de 150 para
40 filmes, para que se pudesse trabalhar quatro filmes em cada período.
“Esse projeto é um sonho antigo, de
quem ama o Direito e o Cinema. (...) Após conversa com os demais coordenadores
do projeto (Cléber e Liriane), revisamos a lista dos filmes, adaptando-a a uma
visão mais generalista, que englobasse assuntos de diversas ordens, buscando
assim contemplar o maior número possível de temas para serem abordados pelo
Mater Cine. Aliás, fizemos um trabalho que permitisse não só a participação dos
demais cursos, envolvendo assim toda a Faculdade, mas também permitindo que a
comunidade em geral pudesse participar, haja vista que os temas são de
interesse geral, com algumas abordagens jurídicas e outras de cunho artístico,
educacional, filosófico, sociológico, etc”, pontuou o coordenador do curso de
Direito.
Continuidade
Ao longo do ano, serão dez módulos de
4 sessões por módulo, com cinco horas de certificação para cada sessão. No
entanto, não será tratada como disciplina curricular, mas sim como atividade de
extensão, permitindo a participação da comunidade em geral.
“Permitir a participação da
comunidade não só garante o acesso à cultura, pelo cinema, mas provocará nos
participantes o incentivo às discussões envolvendo os temas abordados, o
aprofundamento de determinadas áreas do conhecimento e o senso crítico sob
determinada ótica abordada nos debates que se farão após as sessões. O ganho é
imensurável, não só pelo acesso a sessões de cinema, que não temos essa
possibilidade em Pato Branco, mas também por debater os assuntos abordados nos
filmes”, confia Chiochetta.
Com o apoio da Assessoria de
Comunicação do Mater Dei, Christoferson Agência - que produzirá audiovisuais com
trechos dos trailers e ficha técnica das obras-, cada sessão se apresentará da
seguinte forma: pelo menos um dos coordenadores do projeto fará a apresentação
do filme, seguida da exibição do longa metragem, com um breve intervalo de 10
minutos. Após a sessão, será aberta a mesa de discussão, com a participação dos
coordenadores do projeto e, eventualmente, algum professor convidado,
especialista na área que está sendo discutida no filme, contando com a
participação de todos os presentes, que poderão fazer uso da palavra, debatendo
todos os aspectos abordados na película.
Pela estrutura acadêmica, crítica e
certificação, haverá um custo bem acessível por sessão, barateada ainda mais ao
adquirir os ingressos para o módulo completo. “Confiamos no projeto, na forma
como ele foi concebido, e esperamos que os acadêmicos da Faculdade e da
comunidade em geral abracem essa ideia, pois todos ganham”, finalizou Valmir
Chiochetta Junior.
Daiana
Pasquim (DRT/PR 5613)/ AC Faculdade Mater Dei
Arte e
logotipo: Lucas Piaceski
Assessoria
de Comunicação
Christoferson
Agência Audiovisual
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
As bruxas me atraíram na Ilha da Magia
Pequeninas poções mirabolantes que estão incitando meu âmago deram forças para a ressurreição deste texto. Sempre fui apaixonada por bruxas e tudo que as envolve. Escrevi este conto memorial, originalmente, para a editoria Viaje com o Diarinho e ele foi publicado na edição 148 deste jornal
infantil, de 27 de outubro a 9 de novembro de 2013.
![]() |
| Encontrei-a na porta de um restaurante português |
Chapéus
grandes e pretos, rosto enrugado com verrugas, roupa escura e medonha. Risada
de deboche e mãos que mais parecem garras. Elas são capazes de despertar em nós
as mais estranhas curiosidades. Bruxas. Em janeiro de 2013, fiz com meus Lucas
(marido e filho) um final de semana de turismo por Florianópolis, a capital de
Santa Catarina, quando tive a oportunidade de tirar foto ao lado de uma bruxa
muito alta e assustadora. Sim, veja na foto como ela tinha o chapéu amassado e até
sorria, mas sua expressão revelava que talvez tivesse a intenção de me devorar.
Olhe para meus olhos arregalados, acha que tive medo?
Fizemos o passeio
a convite da minha professora de Literatura e doutora em Teopoética, da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Salma Ferraz, que é escritora
também e muito entendida sobre bruxas. Ela nos convidou para, no outro dia, ir
conhecer a ilha dos açorianos, onde as lendas sobre as bruxas eram ainda mais
fortes em Florianópolis, que também é conhecida como “a ilha da magia”. O mito
da bruxa é tão antigo como a atual Santa Catarina. Acredita-se que as bruxas
vieram para Florianópolis na época da colonização açoriana, de navio, quando
estas, junto de escravos negros e pessoas doentes, eram banidas da Europa.
Também se acreditava que a sétima filha mulher de um casal, seria bruxa, a
menos que fosse batizada pela irmã mais velha.
No
imaginário das crianças, a ideia das bruxas ganhou popularização com o Halloween, festa típica dos países anglo-saxônicos,
com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido. Vemos
casas velhas, abóboras e bruxas, como estas que escolhemos para ilustrar esta
página. Os antigos contam que a bruxa era má. Suas vítimas eram sempre crianças
(pense que assustador), animais pequenos e lavouras em crescimento. É o que
dizem os moradores mais antigos na ilha.
Pagamos a
passagem e entramos no barco para a viagem que durou cerca de meia hora em alto
mar até atravessarmos da Barra da Lagoa da Conceição até a ilha dos açorianos.
Chegando lá começamos a caminhar por entre as casinhas que tinham muitas ervas
nos quintais. Conclui que as bruxas de lá eram iguais a essas que vemos nos
desenhos, por conhecerem muito sobre as plantas e os seus efeitos no organismo.
Meus olhos eram atentos para todos os lados para ver se encontraria alguma
mulher assustadora saindo de trás daquelas casinhas. Quando erguíamos o olhar
víamos muito mar e várias outras ilhas, que provavelmente, estariam cheias de
outras bruxas. Depois de seguir trilhas, subir morros e andar por entre os
lares e igrejinhas, paramos no deck de um restaurante à beira-mar para almoçar.
Nenhuma bruxa apareceu.
Segundo os
moradores da ilha, deve-se fazer a oração Pai-Nosso e Ave-Maria toda sexta-feira
às 18h, e andar sempre com alho no bolso, para proteção, pois a bruxa de hoje
não tem qualquer aparência especial. É uma mulher comum, que pode ser até uma
moça bonita, não voa em vassoura e não tem chapéu pontudo. Segundo Franklin
Cascaes (grande pesquisador das lendas de Santa Catarina) estas bruxas atuais
são mais perigosas... que sorte eu tive ao tirar a foto ao lado de uma estátua.
Halloween
A Data de 31
de Outubro é mundialmente conhecida como "O dia das Bruxas ou
Halloween" (nome original na língua inglesa). É um evento tradicional e
cultural com origem nas celebrações dos antigos povos. A palavra tem origem na
Igreja católica, da tradição contraída do dia 1 de novembro, o Dia de Todos os
Santos. Os estudiosos dizem que é uma versão encurtada de "All Hallows'
Even"(Noite de Todos os Santos), a véspera do Dia de Todos os Santos (All
Hallows' Day). "Hallow" é uma palavra do inglês antigo para
"pessoa santa" e o dia de todas as "pessoas santas" é apenas
um outro nome para Dia de Todos os Santos. No século V DC, na Irlanda Céltica,
o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado era Samhain, o Ano
novo Céltico. Alguns bruxos acreditam que a origem do nome vem da palavra
hallowinas - nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do
norte (Escandinávia). Com o tempo, as pessoas passaram a se referir à Noite de
Todos os Santos, "All Hallows' Even", como "Hallowe'en", e
mais tarde simplesmente "Halloween". O Halloween marca o fim oficial
do verão e o início do ano-novo. Lá, celebra também o final da terceira e
última colheita do ano, o início do armazenamento de provisões para o inverno,
o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas
leis. Era uma festa com vários nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La
Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o escocês Hallowe'en. (Além da imaginação)
Importante: A foto é real e os desenhos da página Diarinho são
ilustrações criadas pelos alunos Roselaine Camargo, Diana Marçal, Rauany V. F.,
Kamilli G. de Quadros e Vanessa Tabaka
Crítica literária: “Ela disse, ele disse”, de Thalita Rebouças
Cinco horas do domingo ensolarado
são necessárias em média para se apoderar de tudo que “Ela disse, ele disse”, a
história dos adolescentes Rosa e Leo, narradores-personagens criados pela brasileira Thalita Rebouças. Eles se intercalam dando suas opiniões sobre as mesmas cenas,
no livro sem capítulos, mas alguma trama típica de quem viveu uma década e
quase meia. É uma obra que mergulha no universo adolescente, com excesso de
inseguranças, surtos e coisas “fofas”, palavra que ao terminar o livro,
move-nos a curiosidade de perpassar as linhas para contar quantas dezenas de
vezes apareceu.
A meu ver, a história peca em descrições: desde o sobrenome de Rosa, a fisionomia dos protagonistas e o espaço em que convivem, algo que me parece tão caro para dar segurança aos adolescentes - observar muito as pessoas e o universo em que vivem. Contudo, “Ela disse, ele disse” promove um total mergulho no âmago dos adolescentes, trazendo à tona as maneiras tão diferentes de vivenciar o mesmo fato. Ele e ela têm visões diferentes, embora ambos sejam filhos de pais separados que também não ganham muita personificação na trama, em especial a mãe da moça. Qual é a sua profissão?
Se Rosa manda no cenário no começo, depois é Leo que parece tomar as rédeas da narração e são com suas impressões que o livro termina. A mocinha também quase se torna uma coadjuvante perto de todas as investidas de sua rival, Julia, que faz de tudo para promover a expulsão dos dois da escola, por puro ciúme doentio. Mas é uma “fofa” história de amor que ensina muito de relacionamento interpessoal aos adolescentes! Ao terminar a obra sugiro a você, adolescente, responder: Como você se identifica com o que “ela disse, ele disse”? Qual personagem mais se parece com vc? A leitura é altamente recomendável.
A meu ver, a história peca em descrições: desde o sobrenome de Rosa, a fisionomia dos protagonistas e o espaço em que convivem, algo que me parece tão caro para dar segurança aos adolescentes - observar muito as pessoas e o universo em que vivem. Contudo, “Ela disse, ele disse” promove um total mergulho no âmago dos adolescentes, trazendo à tona as maneiras tão diferentes de vivenciar o mesmo fato. Ele e ela têm visões diferentes, embora ambos sejam filhos de pais separados que também não ganham muita personificação na trama, em especial a mãe da moça. Qual é a sua profissão?
Se Rosa manda no cenário no começo, depois é Leo que parece tomar as rédeas da narração e são com suas impressões que o livro termina. A mocinha também quase se torna uma coadjuvante perto de todas as investidas de sua rival, Julia, que faz de tudo para promover a expulsão dos dois da escola, por puro ciúme doentio. Mas é uma “fofa” história de amor que ensina muito de relacionamento interpessoal aos adolescentes! Ao terminar a obra sugiro a você, adolescente, responder: Como você se identifica com o que “ela disse, ele disse”? Qual personagem mais se parece com vc? A leitura é altamente recomendável.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
REPORTAGEM: Natal no Remanso da Pedreira dá presente para a vida de quem participa
Olhe para este rostinho. Gracioso. Estas duas bonecas serão as grandes companheiras desta menina linda, que sonha com um futuro onde ela possa ter felicidade, roupas bonitas, enfeites para o cabelo, comida saborosa, afeto, pais para ampará-la e dar-lhe exemplos sobre como superar.
Esta garota é de sorte, por fazer parte do projeto Remanso da Pedreira, pois é quando ela se esquece das condições difíceis de residência que tem. Há pouco tempo, sua família morava à beira da rodovia federal (BR-158), próxima a pedreira. Eles então ganharam uma casa popular do município e seu dia a dia ficou menos arriscado.
Com ela que me deu esse lindo sorriso e outras 50 crianças que me encheram de perguntas criativas e carinhosas, passei boa parte da tarde desta terça-feira (17 de dez/13), neste lugar tão especial, por ser recheado de bons sentimentos, que fazem o contrapeso na balança das necessidades.
| Garota linda fez pose para a minha câmera, satisfeita dos presentes recebidos |
Pés
descalços correndo pelo gramado e cabelos balançado ao vento, mãozinhas dadas
para o passeio e gritinhos agudos pela disputa do território tornam comovente
uma visita ao Remanso da Pedreira, de Pato Branco. Buscando aproximar o brilho
do Natal das crianças que lá frequentam, os acadêmicos do 4º período de Direito
da Faculdade Mater Dei, manhã e noite, fizeram uma arrecadação de brinquedos,
pelo segundo ano consecutivo. Levaram pacotes coloridos e saíram cheio de
abraços e perguntas, pois o cenário criado na tarde desta terça-feira (17) foi
de mutuamente um lado cuidar do outro. De um, a pujança social impulsionada
pelo conhecimento, as inúmeras tarefas e responsabilidades. Do outro, a
inocência mergulhada no carinho que emana da felicidade sincera por um
presente. Quem precisa mais de quem? Pergunta difícil de responder.
Os
acadêmicos levaram para as crianças a tarde inteira de brincadeiras, com lanche
especial, e a presença aguardada do Papai Noel e da Mamãe Noel. Presentear uma
criança é como lhe fazer um carinho. Eles se sentem lembrados e valorizados a
cuidar de si mesmos. A coordenadora do Remanso da Pedreira, Solange Mackowiak
Yamamoto lembra que a maioria das 33 famílias dessas 52 crianças que frequentam
o projeto é desestruturada, por isto quem visita a instituição, sai mexido. “Na
família, não existem muitos laços, nem muito afeto, carinho, contato físico ou
diálogo. Aqui a gente tenta mostrar para eles este outro lado, fazendo com que
dentro do Remanso eles sejam uma família e aprendam, entre eles, a ter esse
contato físico de se abraçar, se respeitar, cuidar um do outro. Aprendendo e
adquirindo aqui, quem sabe eles consigam levar para casa e transformar o lugar
onde vivem.”
Presente trocado
Essas
crianças sabem que em casa não haverá presentes, por isso a expectativa fica
para receber no Remanso, nota Solange, para quem ficam sempre esperando que
apareça alguém e faça a partilha. “Quem vem, tem a expectativa de entregar um
presente para uma criança que vai ficar feliz. Aí quando recebem o carinho das
crianças, esse afeto, sentem que a criança esperava mais que um presente. Eles
queriam esse contato todo, o agradecimento, o chamar para brincar junto. Os
acadêmicos ficaram comovidos e talvez para alguns seja um sentimento que ainda
não tinham experimentado, por isto é uma grande lição”, completou Solange.
Quem
confirma é a acadêmica Helen Karina Ilha, uma das que esteve à frente do grupo
de arrecadação. “Eles são muito carismáticos e nos recebem com muito aconchego,
amor e carinho. A gente vivencia tanta coisa no mundo lá fora, na correria do
dia a dia, lida com outra realidade. Esta é a verdade. Quando a gente chega
aqui, vê que pode se despir de tudo: de aparência, de pose, pois eles são muito
autênticos. Vemos na curiosidade de perguntarem quem a gente é, o que a gente
faz, como é a nossa casa, me perguntaram até se tinha piscina. Eles também têm
essa necessidade de se aproximar de uma realidade que não é a deles. É uma
troca muito gratificante. Isto não tem preço”.
Direito, e na prática
Estudantes
de Direito, eles têm conseguido visualizar nas disciplinas regulares do curso, a
pauta social para desenvolver este trabalho na prática. No primeiro ano, quem
plantou a ideia de beneficiar uma instituição foi o professor de Sociologia,
Marcio José Cavasini. “A ideia é a gente dar continuidade até o quinto ano e plantar
esta semente nas futuras turmas que vão entrar. Minha filha será caloura do Direito
e quero que ela veja o quanto é importante este projeto social”. Em 2013, o
olhar se aguçou nas aulas sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o
professor Raphael Adalberto Soares, o promotor de justiça. “Com ele também
conseguimos vivenciar toda a realidade, necessidade, o quadro social das
famílias carentes”, apontou Helen, acrescentando que na aula de Criminologia
com o professor Cleber Rigailo, ele nos apresentou o projeto da Casa do
Zezinho, no Rio de Janeiro. O Remanso da Pedreira se iguala a isso e a gente vê
o quão importante é a criança estar aqui e não na rua. Criança na rua beira a
marginalidade. Por isso, precisamos ajudar manter o projeto”, defendeu a
acadêmica.
Pela sua relevância social, a ONG Remanso da Pedreira possui titulo de utilidade pública municipal, concedido pela Câmara de Pato Branco em 2009; título de utilidade pública estadual, concedido pela Assembleia Legislativa em 2011; e agora está em busca do título nacional e do apoio de um deputado federal, para acompanhar o processo.
A sede atual da instituição foi, no passado, um chiqueiro de porcos, no qual o casal Solange e Luciano Yamamoto adequaram para receber, desde 2007, os filhos das famílias recolhidas à beira da rodovia 158, que viviam em situação de risco. Após dois anos e meio de investimentos privados, estão finalizando a construção de uma sede própria para ampliar o atendimento e a dignidade. Fica na Estrada São Brás, km 2, acesso também pela BR-158, próximo à Granja Real. Trata-se de uma chácara com 34 mil m2, sendo 2.900m2 de área construída, distribuídos em seis blocos. Lá haverá da educação infantil, ao fundamental I, além dos diferenciais de preparação cidadã, próprios do Remanso da Pedreira.
Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)
Christoferson Agência Audiovisual
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