quarta-feira, 16 de abril de 2014

CRÔNICA - "Uma tarde de Páscoa na Ilha incendiada"




As vozes agudas ficaram altas à medida que bati a porta do carro. Meus olhos ainda estavam tomados pelos destroços, intocados meses depois, igualzinho o fogo deixou. Daquele ginásio as paredes pulsavam. Reconhecendo a música das crianças, cresceu a curiosidade para ver o que lá faziam. Poucos carros no pátio, sol amarelando o entorno. Ao me aproximar da porta vi o círculo de carteiras que formava "a sala" da pré-escola, na qual uma singela divisória marcava aqueles oito metros quadrados do resto da quadra esportiva. Ao lado desta, outra, e mais outra. Mas foram as 108 orelhinhas de coelho que logo me fisgaram a atenção. Mãozinhas se uniram e formaram um grande círculo ao centro do complexo. As mães e pais viraram suas cadeiras para acompanhar o espetáculo carinhoso preparado pelas professoras. Com a máquina fotográfica em mãos o que fiz foi um clique após o outro, enquanto os acontecimentos sensibilizavam diante de meus olhos. Muitas coelhas e coelhos encararam a lente sem medo, com uma educação exemplar de alunos de escolas de comunidades. Amando cada momento, fui aguardando a hora “oficial” para realizar mais uma cobertura jornalística na soma de dez anos de profissão no Sudoeste do Paraná. Vinte e quatro horas depois disso tudo, o texto já está finalizado e enviado para os quase duzentos contatos de meu mailing de assessoria de comunicação. Mas 24 horas depois ainda o coração está pulsando de sensibilidade pelas vivências e o espírito que me abraçou naquele local. Aquela ilha, um dia sinistramente incendiada, ganhou o poder de purificar os sentimentos daqueles que nela chegam de olhos abertos. Eis o texto: "Páscoa de Passo da Ilha se alegra com visita de Administração Mater Dei"
Ações doces, coloridas, alegres, calorosas. Crianças de cinco a dez anos vivenciam a fase de nutrir a imaginação pascal e esta é a faixa etária dos 54 alunos do pré ao quarto ano, da Escola Rural Municipal Passo da Ilha de Pato Branco, local que recebeu a visita do curso de Administração da Faculdade Mater Dei, na tarde desta terça-feira (15). Diretora em tempos de adaptações e reerguidas após o incêndio sinistro de 2013, Leonida Machado dos Santos afirmou viverem um dia de festa. “A escola não pode parar e está funcionando normalmente como se estivesse em seu estabelecimento. Não é porque estamos emprestados que vamos aborrecer ou ficar encolhidos e não fazer as atividades. Segue normalmente tudo que seria na sede própria”, resolveu.
Leonida contou que as crianças estavam há mais de 15 dias ensaiando as músicas para Páscoa, esperando algo novo. "Este ano a Faculdade Mater Dei com seus estudantes vieram aqui e propuseram para nós o que poderia ser feito, visitaram o espaço e viram que dava pra fazer muita coisa, eles estavam ansiosos. É um dia único, uma atividade que não vão esquecer nunca pelo pessoal da faculdade estar proporcionando isto: uma lanche diferente, as brincadeiras, sem esquecer do sentido da Páscoa que é Jesus Cristo e a ressurreição, não só brincadeiras, os ovos e o chocolate. mas o verdadeiro sentido da Páscoa também”, discorreu, acrescentado “agradeço a todas as professoras que ensaiaram e se empenham em fazer com que essa festividade seja bonita do jeito que foi e agradecer ao pessoal do Mater Dei que vieram aqui proporcionar um dia diferente para eles”. 
Entre ajudar o grupo a montar a cama elástica e organizar a fila dos guris nos chutes a gol, o acadêmico de Administração Luiz Paulo Rizello, que é diretor-presidente da Mater Jr. disse que a ideia das cestas está consolidada nos três pilares da empresa junior, no tocante à solidariedade. Ele lembrou que a campanha foi trabalhada de forma articulada nos primeiros períodos entre calouros de diversos cursos junto à disciplina de Sociologia, do professor Marcio Cavasini, com destaque para os primeiros períodos de Administração, Contábeis, Direito Noturno, Agronegócio e Marketing, que embora não tenha a disciplina, também se engajou. “Na Faculdade Mater Dei não se tem a cultura do trote e por isso queríamos promover este trote solidário. Passamos nas salas arrecadando dinheiro para comprar tudo igual para as crianças e fazer as cestas padronizadas. “A organização das cestas ficou por conta da Mater Jr e com o dinheiro arrecadado conseguimos montar 60 cestas e comprar o lanche desta tarde. Ações assim são muito legais, porque você acaba vendo o quanto é gratificante, aqui nesta tarde, entregar as cestas para as crianças. Estão todos curiosos pelo que vão fazer e ganhar. Da nossa parte é uma realização, pois do primeiro ao oitavo período de Administração houve arrecadação”, completou.
Ao lado da cama elástica, brincadeiras de roda, dança e canto foram criadas por ela, o que mostra que na visita também houve esforço de acadêmicos de diversas fases ao longo do curso. Um exemplo é Lallescka Selk, do terceiro período, que contou: “já vim como caloura no ano passado em outra instituição e agora, estou aqui como voluntária. Também já passei pela Mater Jr e, em sala de aula, visitamos as turmas incentivando a doar dinheiro para comprarmos chocolate e montar as cestas. Em uma semana, superamos nosso objetivo”, contou animada. 
Acompanhando as atividades, a professora Stela Maris de Lara, que é coordenadora da Mater Jr, sentia-se engrandecida em ver os alunos colocarem seus planos de solidariedade em prática e, no processo, se sentirem tão realizados quanto as crianças que foram presenteadas pelos motivos de Páscoa, as brincadeiras e o lanche. “Mais alunos gostariam de estar aqui, mas se não puderam vir por motivo de trabalho, colaboraram durante a ação de arrecadação. Parabéns a todos que se envolveram”, finalizou. 

Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)/ AC Faculdade Mater Dei
(Texto e Fotos)
Assessoria de Comunicação
Christoferson Agência Audiovisual

Maria Eduarda e Patrícia, amigas lindas e carinhosas. Adorei seus abraços



Jabuticabas, fotos e ovos de Páscoa


Pretos e intensos, grandes como duas jabuticabas. Assim são os olhos de Maria Eduarda dos Santos, 6, a menina que me encantou na tarde desta terça-feira (15) ao me dirigir até o interior de Pato Branco para visitar a sua Escola Rural Municipal Passo da Ilha. Ao lado da amiga inseparável, Patrícia, 7, ela cantou "Não foi o coelhinho que morreu na cruz, quem foi crucificado foi o meu Jesus". Conversamos muito, fizemos fotos e (re)nasceu ali as vivências de uma menina feliz, que sempre fez "ninhos" à espera do Coelho de Páscoa. Abraçadas primeiro a mim e, depois às suas cestas com ovos de chocolate, elas saltitavam felizes pelo ginásio de esportes que acolheu sua escola após o incêndio sinistro de 2013.  Amo esta profissão.

terça-feira, 1 de abril de 2014

CRÍTICA LITERÁRIA: Definições de “Gravidade”, o filme



Fragmentos de satélites e chuvas de meteoros invadiram nosso último fim de semana de março de 2014, quando vimos "Gravidade" (2013, Alfonso Cuarón, Warner Bros.), pela segunda vez. Conheci o filme ainda antes das badalações do Oscar 2014 (sete estatuetas: melhor diretor, para o mexicano Alfonso Cuarón, trilha sonora, efeitos visuais, fotografia, mixagem de som e edição de som, além de montagem, feita pelo próprio diretor. Foi a primeira vez que um diretor da América Latina levou o prêmio) -, quando cometemos um erro: assistimos numa péssima qualidade de imagem que me deu até sono, quando o que causa Gravidade, na real é o pânico e expectativa que passamos a vivenciar com os astronautas  - vividos por Sandra Bullock e George Clooney - à deriva. 
Gravidade é um filme para ser visto em alta definição e assim o (re)fizemos. O arquivo em full HD rodou numa Sony 40 polegadas, que fez toda a diferença. Desta vez, não vi sono, mas sim detalhes que passaram despercebidos em nosso primeiro encontro. As definições que vemos nesta obra é, acima de tudo, sobre a vida da dra Ryan Stone, que foi para o espaço sem motivos para querer estar na Terra. O leitor da obra chega sozinho à conclusão de que sua vida pessoal chegou a um caos grave, nem mesmo a filha de quatro anos a prende. Morrer, de repente, parece “simples assim”.
Lá no espaço, com sua nave totalmente destruída, quando imersa naquela escuridão espacial, vem o convite implícito para  definir pelo “nada”. O incrível da obra é que neste mesmo vazio universal é que a engenheira encarregada da missão especial “define" que quer viver. Com as orientações do experiente Matt Kowalksky (G.Clooney), que traz para as cenas as típicas histórias da juventude que fazem esquecer tempo e espaço, ela flutua para a necessidade de sobrevivência. Gravidade é muito recomendado não só pelas sete estatuetas, mas por ser um filme que mexe com nossas raízes, e motiva aquilo que definimos como “certo” na vida: viver! E claro, assistir em alta definição é "definitivamente" indicado. Gravidade se levanta de nosso peito naturalmente quando o tríceps força a areia. Nesta hora, sentimos com Stone o poder do flutuar em si mesma.


Pato Branco-PR, 1 de Abril de 2014.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CRÍTICA LITERÁRIA: Convivendo com Game of Thrones




Encantada pelo universo medieval, boas horas de leitura fluída que tenho conquistado são mergulhadas neste portal criado pelo escritor estadunidense George R.R.Martin. Neste artigo, após concluir a leitura de Guerra dos Tronos, faço uma crítica literária que estabelece um diálogo entre os capítulos e as cenas, já que a obra também virou seriado


Diante de um livro com mais de mil páginas dá uma satisfação em saber que as últimas 300 li num mesmo domingo – em que pese haver mais quatro irmãos do mesmo autor, um deles com mais de 1.400 páginas. Ganhei Games of  Thrones no aniversário, pouco antes de entrar a primavera de 2013, mas só consegui começar a lê-lo, de fato, uns dois meses depois, pouco antes da viagem de férias, quando nas tardes de veraneio com maresia na ora que o sol a pino e proximidades impedia a exposição da pele, percorria de 100 a 200 páginas  e suas casas. Foi só após o retorno para casa e para a vida, mais organizada no ano que se iniciava, que mergulhei na página 300 adiante. Entre as batalhas diárias que travei com os afazeres, houve um tempo em que o pegava para percorrer míseras dez páginas, o que se tornava impotente para concluir um único capítulo. Não por não ter sido ferroada pelo doce da história de George R. R. Martin, 65, mas por ter outras demandas desse mundo de outrora a cumprir.
Mas se a biografia do autor dão informações como: ele levou seis anos para fazer cada obra (tenho em mãos a coleção da Editora Leya, com tradução de Jorge Candeias - a edição limitada da caixa, impressa em outubro de 2012), posso afirmar com assiduidade que se pode ler Game of Thrones (GoT) folgadamente em um mês ou um pouco mais, persistentemente em duas ou três semanas, se só fizer só isso. Convivi muito com a obra em janeiro de 2014, embrenhando-me em florestas, subindo montanhas, apalpando pedras de castelos, fazendo uma leitura profunda das descrições de personagens, espaços, tempos ora medidos pelas “salutares” e peculiares refeições, ora pelos castigos nas masmorras.
Coloco-me, a partir de agora, a avaliar em minúcias a obra um de George R.R.Martin, incluindo as comparações que vi até agora no seriado produzido pela HBO, com as devidas adaptações, demonstrando meu deslumbramento pelas construções “martinianas”.
Quando me faltava ainda as cabalísticas 66 páginas para concluir, tive o impulso na pausa da página mil e a ida ao banho, quando a água limpou a mente e fez surgir o esboço que abre esta crítica literária. Conclui o livro já com avarias nas páginas, uma leve orelha e algum amassado na capa, devido às centenas de vezes que abri e fechei esse portal medieval que sinto tanto me completar.
Entre as nuances da obra literária com a televisionada, passo a descrever minhas impressões sobre cada um destes tópicos:
A história de Daenerys é contínua e única, dividida para o livro;
Meus personagens prediletos
As diferenças na(s) ferida(s) de Eduard "Ned" Stark
A noite de amor de Khal e Khaleesi
A subida ao Ninho da Águia
A Espionagem e tragédia de Bran
A fidelidade em Jon Snow
Sansa não é tão sonsa
Cenários
Etc...

(Este é um artigo em construção... a qualquer momento, novas observações)




A história de Daenerys é contínua e única

A narrativa que envolve a menor Daenerys é tão intensa e contínua, que já fui levada a pensar que George R.R. Martin escreveu seu romance como uma obra à parte de Porto Real e Winterfell e, depois, só a pulverizou pelo livro 1. Claro que essa é uma impressão sustentada só no livro 1 e até a metade. Basta começar lembrar do Targaryen rei, dos bebês raptados e mortos, para perceber a ligação tão profunda dela com o trono de ferro. Você torce o livro todo, mas principalmente na série, para que ela seja proclamada rainha. Daenerys no trono de ferro é quase surreal, já que só vimos idiotas lá até o findar desta obra. Sabemos ser a “guerra dos tronos”, mas sua personagem me é sublime demais para querer só isso.
Quando Aemon, o Senhor Comandante da Patrulha da Noite revela a Jon Snow seu sobrenome e o peso Targaryen do antigo rei, queremos mais ainda que Daenerys avance como Khaleesi e detenha o poder, até porque ela vem como uma rainha justa, libertando os seus escravos. O desfecho para Dany no livro 1, após todo aquele sofrimento de perder o filho e o marido lhe é justíssimo e causa muita expectativa espantosa ao leitor. Impressionante a cena no seriado HBO. Intensa, eletrizante. No livro, é um “deleite”, com duplo sentido, já que os dragões lhes estavam grudados nos seios repletos de leite, o que ficou mais leve na versão televisiva. Deleite que só cresce ainda mais à medida que esperamos os animais se desenvolverem. Esse aumentar de tamanho vai multiplicando também o poder de sua rainha (aqui já adiantando a obra 2 adiante... já em leitura). Khaleesi, na série é bem mais madura e, por isso, firme.

A noite de amor de Khal Drogo e Khaleesi

Quanto às adaptações de cena, saliento a primeira noite de amor de Dany com Khal Drogo, que não se fez de tristeza com o toque de brutalidade como na série, mas foi romântica, de fato, após a cavalgada. Ela admirou Khal desde o primeiro momento e se deu a ele como sua mulher também desde o princípio, e ele, se deu a ela como seu homem. O capítulo em que ela destrança seus cabeços, tocando e abrindo seus anéis de guerreiro que nunca perdeu, se sobressaem à necessidade da cena onde Khal demonstra sua superioridade masculina.

(...) Drogo tocou-lhe levemente os cabelos, fazendo deslizar as madeixas loiro-prateadas entre os dedos e murmurando suavemente em dothraki. Dany não compreendeu as palavras, mas havia calor na entoação, uma ternura que nunca esperara daquele homem. Pôs um dedo em seu queixo e ergueu-lhe a cabeça, para que ela o olhasse nos olhos. Drogo erguia-se acima dela como se erguia acima de toda a gente. Pegando-a agilmente por baixo dos braços, ergueu-a e sentou-a numa rocha arredondada ao lado do riacho. Depois, sentou-se no chão diante dela, de pernas cruzadas sobre o corpo, com o rosto de ambos ao mesmo nível. (MARTIN, 2012, p. 138)

E olha que este capítulo de amor é no que podemos chamar de começo do livro, eles se amariam muitas e muitas vezes ao longo das páginas. E quando Dany aprende as artes do amor com suas aias, enquanto a cena soa com certa insegurança de alguém que quer ter voz e vez, no capítulo vemos uma menina ganhando, de fato, o coração de Drogo e, de quebra, de todo o Khal, já que eles se amam na frente de todos, sob o luar. Estas observações não são uma crítica à interpretação de Emily Clark, que é brilhante e linda no papel, mas observação quanto à forma como a cena foi tomada.


Personagens prediletos

Claro que a essa altura deu para perceber que Daenerys é uma de minhas prediletas e, com ela, o anão Tyrion Lannister, Arya Stark, Jon Snow e seu amigo Samwell Tarly, além de Jaime Lannister, estes últimos secundários, é verdade, não há narração partindo deles, contudo, enxergo em Sam e no Regicida, potencialmente, características complexas.
(Escreverei mais sobre isto)


Cenários

Que dizer dos cenários espetacularmente descritos e tão bem compostos para a série. Agora me atenho, por exemplo, à subida ao Ninho da Águia, no livro 1, cujo momento na série passou praticamente em branco. Enquanto rolamos diversas páginas para chegar ao topo do ninho, em minutos, da captura de Tyrion por Catelyn, praticamente já no alto do castelo, apresentando-se a Lisa Arryn. Quantas brilhantes construções, pedras, íngremes subidas, mulas, técnicas que, se transportadas à cena, tornariam o seriado excessivamente caro em figuração e cenário. Mas o quanto se perdeu sem mostrar essa técnica. No seriado, o único sentido que fazia quando o menino mimado Robert Arryn afirmava que queria ver o homenzinho voar, se fez com a abertura daquele poço, o buraco no meio da sala, que no capítulo da luta sem tinha. Esta, ocorreu no jardim, ao redor da estátua, isto sim.



Ainda os telhados de Winterfell, local onde os ávidos pezinhos de Bran correm antes da queda. Queda que, por sinal, foi um tanto diferente no capítulo, em vista da cena. Neste, Bran escutou, de fato, uma conspiração dos gêmeos contra seu pai e havia corrido muito sobre o castelo até chegar no alto onde Cersei e seu amado irmão loiro estavam. Na cena, ele escala só aquele muro e já chega a eles. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Christoferson Agência apoia projeto de cinema aliado à senso crítico


Cinema é uma de nossas paixões e como sócios da Christoferson Agência Audiovisual, Lucas Piaceski e eu estamos engajados no projeto Mater Cine, que consiste em aliar cinema a debates de senso crítico, para obras que permitam lançar um olhar artístico, sociológico, filosófico, ético, educacional, e tantos recortes que fazem a vida valer a pena. 
Os conhecimentos cineastas de Lucas como arte-finalista, editor de imagens, músico e compositor e os meus como jornalista e professora com formação em Literaturas em Língua Portuguesa entrarão em ação na hora de preparar os thrillers e a ficha técnica dos longa-metragem em cada módulo. 
Apoiamos o projeto por incentivar a cultura e a arte. Sempre acreditamos que o direito autoral deva ser não só preservado, como divulgado, por isso, a direção de cada filme, elenco e enredo, estarão em foco nas nossas divulgações. É preciso contribuir para que a sociedade possa apurar o olhar para o cinema. Nós que produzimos audiovisuais sabemos reconhecer o valor de uma boa direção de fotografia e direção de arte. Por isso, estamos juntos com a Faculdade Mater Dei nesta, não só por serem nossos clientes de Assessoria de Comunicação na agência, mas porque acreditamos nesta causa!
Leia o texto que produzi sobre o projeto e já enviei para a imprensa e conheça em detalhes essa ideia:

Mater Dei inicia ano acadêmico lançando projeto de cinema aberto à comunidade

Mater Cine é o seu nome, e a primeira sessão já tem seus quatro filmes selecionados, com abordagens bem distintas: “A Onda” (2008), filme alemão dirigido por Dennis Gansel e estrelado por Jürgen Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich e Max Riemelt - inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda; “Justiça para Todos”, dirigido por Norman Jewison, com Al Pacino vivendo o advogado idealista Arthur Kirkland, que já teve vários desentendimentos (inclusive já foi preso por desacato) com Fleming (John Forsythe), um inflexível juiz, o qual é preso e pede para ser defendido pelo próprio advogado rival; “Kevorkian”, dirigido por Barry Levinson, igualmente com Al Pacino, desta vez vivendo o médico estadunidense Jack Kevorkian, que ficou mundialmente conhecido como dr. Morte ao ajudar pacientes de câncer terminal a cometerem suicídio; “A Corrente do Bem”, dirigido por Mimi Leder, com Kevin Spacey e Helen Hunt, onde um professor desafia seus alunos a ter uma ideia para melhorar o mundo e colocá-la em prática.
Isto mesmo, quatro filmes exibidos durante um semestre acadêmico, seguidos de muito debate. Essa é a proposta do projeto que nasceu dentro do curso de Direito da Faculdade Mater Dei, trabalhada internamente no ano de 2013, quando se estendeu para todos os cursos da faculdade, bem como para a comunidade. As exibições vão acontecer no Auditório Algemiro Pretto e a data exata do primeiro módulo será divulgada em breve, tão logo o reinício das aulas, no próximo dia 3 de fevereiro.

Concepção e temas
Chegar a estes quatro primeiros longas gerou muito senso crítico. Os idealizadores, professores Valmir Chiochetta Junior, coordenador do curso de Direito, Cléber Rigailo e Liriane Camargo, fizeram, cada um, uma lista com 50 indicações. O segundo passo foi fazer a comparação das três listas. Posteriormente, essa lista foi reduzida de 150 para 40 filmes, para que se pudesse trabalhar quatro filmes em cada período.
“Esse projeto é um sonho antigo, de quem ama o Direito e o Cinema. (...) Após conversa com os demais coordenadores do projeto (Cléber e Liriane), revisamos a lista dos filmes, adaptando-a a uma visão mais generalista, que englobasse assuntos de diversas ordens, buscando assim contemplar o maior número possível de temas para serem abordados pelo Mater Cine. Aliás, fizemos um trabalho que permitisse não só a participação dos demais cursos, envolvendo assim toda a Faculdade, mas também permitindo que a comunidade em geral pudesse participar, haja vista que os temas são de interesse geral, com algumas abordagens jurídicas e outras de cunho artístico, educacional, filosófico, sociológico, etc”, pontuou o coordenador do curso de Direito.

Continuidade
Ao longo do ano, serão dez módulos de 4 sessões por módulo, com cinco horas de certificação para cada sessão. No entanto, não será tratada como disciplina curricular, mas sim como atividade de extensão, permitindo a participação da comunidade em geral.
“Permitir a participação da comunidade não só garante o acesso à cultura, pelo cinema, mas provocará nos participantes o incentivo às discussões envolvendo os temas abordados, o aprofundamento de determinadas áreas do conhecimento e o senso crítico sob determinada ótica abordada nos debates que se farão após as sessões. O ganho é imensurável, não só pelo acesso a sessões de cinema, que não temos essa possibilidade em Pato Branco, mas também por debater os assuntos abordados nos filmes”, confia Chiochetta.
Com o apoio da Assessoria de Comunicação do Mater Dei, Christoferson Agência - que produzirá audiovisuais com trechos dos trailers e ficha técnica das obras-, cada sessão se apresentará da seguinte forma: pelo menos um dos coordenadores do projeto fará a apresentação do filme, seguida da exibição do longa metragem, com um breve intervalo de 10 minutos. Após a sessão, será aberta a mesa de discussão, com a participação dos coordenadores do projeto e, eventualmente, algum professor convidado, especialista na área que está sendo discutida no filme, contando com a participação de todos os presentes, que poderão fazer uso da palavra, debatendo todos os aspectos abordados na película.
Pela estrutura acadêmica, crítica e certificação, haverá um custo bem acessível por sessão, barateada ainda mais ao adquirir os ingressos para o módulo completo. “Confiamos no projeto, na forma como ele foi concebido, e esperamos que os acadêmicos da Faculdade e da comunidade em geral abracem essa ideia, pois todos ganham”, finalizou Valmir Chiochetta Junior.

Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)/ AC Faculdade Mater Dei
Arte e logotipo: Lucas Piaceski
Assessoria de Comunicação

Christoferson Agência Audiovisual

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As bruxas me atraíram na Ilha da Magia

Pequeninas poções mirabolantes que estão incitando meu âmago deram forças para a ressurreição deste texto. Sempre fui apaixonada por bruxas e tudo que as envolve. Escrevi este conto memorial, originalmente, para a editoria Viaje com o Diarinho e ele foi publicado na edição 148 deste jornal infantil, de 27 de outubro a 9 de novembro de 2013. 

Encontrei-a na porta de um restaurante português
Chapéus grandes e pretos, rosto enrugado com verrugas, roupa escura e medonha. Risada de deboche e mãos que mais parecem garras. Elas são capazes de despertar em nós as mais estranhas curiosidades. Bruxas. Em janeiro de 2013, fiz com meus Lucas (marido e filho) um final de semana de turismo por Florianópolis, a capital de Santa Catarina, quando tive a oportunidade de tirar foto ao lado de uma bruxa muito alta e assustadora. Sim, veja na foto como ela tinha o chapéu amassado e até sorria, mas sua expressão revelava que talvez tivesse a intenção de me devorar. Olhe para meus olhos arregalados, acha que tive medo?
Fizemos o passeio a convite da minha professora de Literatura e doutora em Teopoética, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Salma Ferraz, que é escritora também e muito entendida sobre bruxas. Ela nos convidou para, no outro dia, ir conhecer a ilha dos açorianos, onde as lendas sobre as bruxas eram ainda mais fortes em Florianópolis, que também é conhecida como “a ilha da magia”. O mito da bruxa é tão antigo como a atual Santa Catarina. Acredita-se que as bruxas vieram para Florianópolis na época da colonização açoriana, de navio, quando estas, junto de escravos negros e pessoas doentes, eram banidas da Europa. Também se acreditava que a sétima filha mulher de um casal, seria bruxa, a menos que fosse batizada pela irmã mais velha.
No imaginário das crianças, a ideia das bruxas ganhou popularização com o Halloween, festa típica dos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido. Vemos casas velhas, abóboras e bruxas, como estas que escolhemos para ilustrar esta página. Os antigos contam que a bruxa era má. Suas vítimas eram sempre crianças (pense que assustador), animais pequenos e lavouras em crescimento. É o que dizem os moradores mais antigos na ilha.
Pagamos a passagem e entramos no barco para a viagem que durou cerca de meia hora em alto mar até atravessarmos da Barra da Lagoa da Conceição até a ilha dos açorianos. Chegando lá começamos a caminhar por entre as casinhas que tinham muitas ervas nos quintais. Conclui que as bruxas de lá eram iguais a essas que vemos nos desenhos, por conhecerem muito sobre as plantas e os seus efeitos no organismo. Meus olhos eram atentos para todos os lados para ver se encontraria alguma mulher assustadora saindo de trás daquelas casinhas. Quando erguíamos o olhar víamos muito mar e várias outras ilhas, que provavelmente, estariam cheias de outras bruxas. Depois de seguir trilhas, subir morros e andar por entre os lares e igrejinhas, paramos no deck de um restaurante à beira-mar para almoçar. Nenhuma bruxa apareceu.
Segundo os moradores da ilha, deve-se fazer a oração Pai-Nosso e Ave-Maria toda sexta-feira às 18h, e andar sempre com alho no bolso, para proteção, pois a bruxa de hoje não tem qualquer aparência especial. É uma mulher comum, que pode ser até uma moça bonita, não voa em vassoura e não tem chapéu pontudo. Segundo Franklin Cascaes (grande pesquisador das lendas de Santa Catarina) estas bruxas atuais são mais perigosas... que sorte eu tive ao tirar a foto ao lado de uma estátua.

Halloween

A Data de 31 de Outubro é mundialmente conhecida como "O dia das Bruxas ou Halloween" (nome original na língua inglesa). É um evento tradicional e cultural com origem nas celebrações dos antigos povos. A palavra tem origem na Igreja católica, da tradição contraída do dia 1 de novembro, o Dia de Todos os Santos. Os estudiosos dizem que é uma versão encurtada de "All Hallows' Even"(Noite de Todos os Santos), a véspera do Dia de Todos os Santos (All Hallows' Day). "Hallow" é uma palavra do inglês antigo para "pessoa santa" e o dia de todas as "pessoas santas" é apenas um outro nome para Dia de Todos os Santos. No século V DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado era Samhain, o Ano novo Céltico. Alguns bruxos acreditam que a origem do nome vem da palavra hallowinas - nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia). Com o tempo, as pessoas passaram a se referir à Noite de Todos os Santos, "All Hallows' Even", como "Hallowe'en", e mais tarde simplesmente "Halloween". O Halloween marca o fim oficial do verão e o início do ano-novo. Lá, celebra também o final da terceira e última colheita do ano, o início do armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis. Era uma festa com vários nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o escocês Hallowe'en. (Além da imaginação)

Importante: A foto é real e os desenhos da página Diarinho são ilustrações criadas pelos alunos Roselaine Camargo, Diana Marçal, Rauany V. F., Kamilli G. de Quadros e Vanessa Tabaka

Crítica literária: “Ela disse, ele disse”, de Thalita Rebouças

Cinco horas do domingo ensolarado são necessárias em média para se apoderar de tudo que “Ela disse, ele disse”, a história dos adolescentes Rosa e Leo, narradores-personagens criados pela brasileira Thalita Rebouças. Eles se intercalam dando suas opiniões sobre as mesmas cenas, no livro sem capítulos, mas alguma trama típica de quem viveu uma década e quase meia. É uma obra que mergulha no universo adolescente, com excesso de inseguranças, surtos e coisas “fofas”, palavra que ao terminar o livro, move-nos a curiosidade de perpassar as linhas para contar quantas dezenas de vezes apareceu. 
A meu ver, a história peca em descrições: desde o sobrenome de Rosa, a fisionomia dos protagonistas e o espaço em que convivem, algo que me parece tão caro para dar segurança aos adolescentes - observar muito as pessoas e o universo em que vivem. Contudo, “Ela disse, ele disse” promove um total mergulho no âmago dos adolescentes, trazendo à tona as maneiras tão diferentes de vivenciar o mesmo fato. Ele e ela têm visões diferentes, embora ambos sejam filhos de pais separados que também não ganham muita personificação na trama, em especial a mãe da moça. Qual é a sua profissão? 
Se Rosa manda no cenário no começo, depois é Leo que parece tomar as rédeas da narração e são com suas impressões que o livro termina. A mocinha também quase se torna uma coadjuvante perto de todas as investidas de sua rival, Julia, que faz de tudo para promover a expulsão dos dois da escola, por puro ciúme doentio. Mas é uma “fofa” história de amor que ensina muito de relacionamento interpessoal aos adolescentes! Ao terminar a obra sugiro a você, adolescente, responder: Como você se identifica com o que “ela disse, ele disse”? Qual personagem mais se parece com vc? A leitura é altamente recomendável.