segunda-feira, 20 de março de 2017

CRÔNICA de INSS: Iguais Nunca Sofrem Sozinhos - a metamorfose



Faixa no pé, papéis na mão e nos olhos aquela expressão cansada de quem amanheceu com as galinhas e viajou cerca de uma hora para aqui chegar. A maioria de ônibus. Sentiu o frio da madrugada dessas vésperas de Outono, que em três dias chegará para as folhas metamorfosear. E nas mãos aquele calhamaço de folhas da previdência social: o requerimento de benefício por incapacidade, o atestado médico com o CID certo, os doze holerites que atestavam os reais recebidos no último ano, carteira de trabalho há tempos não assinada, comprovante de endereço (do município correto onde está morando agora - e não de qualquer outro lugar no qual já tenha feito a sua vida), RG, CPF, original e cópia; Ah, você é mãe!? Certidão de nascimento de seu filho, carteira de vacinação, original e cópia. E eu estou aqui ao vivo, cópia e original. Porque o original é o que precisa receber o benefício de um valor por hora contado como perdido - aquela metade do salário, o labor de quinze dias, vai se perdendo nos rostos inexpressivos atrás das mesas numeradas e azuis, na carranca dos médicos - menos quando conversam entre si - e nas faces de espera, impacientes, desoladas, amanhecidas, amassadas, enfaixadas, com pastas e sacolas de documentos em mãos. Papelada. Papelão. A cópia é o que vai se macerando em meio a esse cenário, o que sobra após tudo isso. Espero, espero tanto, as cadeiras e as folhas vão mudando de lugar: de botinas para sapatos femininos, de sapatos masculinos para sapatilhas, de tênis para sapatos, pessoas de peso e idades diferentes mas tão iguais. E as cadeiras do painel dois vão se esvaziando, eu esperando, esperando… É salteada, essa senha não sequencial,  atendimento espontâneo,  bla bla bla… Aquela sensação que não vai ser atendida nunca. Um suspiro profundo para manter a calma a cada senha chamada, que não a minha, gente que me é igual e chegou depois, bem depois. Já foi, já resolveu. E eu  espetada. Gostava do 7, do 47. A ironia dos números: tempo médio de espera de 40 min, cheguei 8h25. Já passou das dez. O horário de espera duas vezes. A sala que esvaziou, voltou a encher... Bla bla bla. Bonés,  boinas,  papéis.  Muletas, mais faixas, uma tossida, os móveis imóveis, os dedos mais grossos deslizando pelas telas, cabeças baixas naquela posição que em muito tempo prejudica a sua coluna, pés batendo no chão, mãos batendo nas pastas, dedos inquietos,  chapéus nas cabeças, oleosidade também. Uns bens cheirosos, com roupa de missa, outros nem tanto, todos à espera. Sentando, calando, tantos passando os dedos na tela, bateria fraca, paciência lenta, debilitada, quase esgotando. Mas vamos ficando, pensamento voando, presos anêmicos do sistema, essa previdência que me permite persistir, insistir, assistir aos passos, impacientes, para lá e para cá, papéis já um pouco amassados, bocejos, pés batendo, será que já perdi a senha enquanto escrevia? Levante a cabeça a cada sinal sonoro. Não perca, não esqueça, aqueça a esperança, está quente a sala, ainda bem que é quase outono. Uma boa mistura de ingredientes: uma porção de gente, de  discrepantes pachorras e traquejos, em que se adiciona o tempo e as condições da estação, somam um objetivo em comum. Metamorfose. Chamam meu maço de folhas, enfim. Pouco mais de duas horas depois. Tudo conferidinho, um leve sorriso, senha nova. Espera, espera. Mais passos de um lado para o outro contemplados em minha inércia. O segurança é o mais vivo, pois anda para lá e para cá. Ficar sentada chateia, achata, assenta, copializa… pouca brisa, ar condicionado, tudo fechado. Grandes máquinas com grade. Todos iguais. Gente, já ausente, só de corpo presente. O pensamento voa, voa, à toa, até ficar impaciente, novamente. Sou tão indiferente! De repente, a porta do senhor Doutor abre, chama um nome. Silêncio. Repete-0. Sem passos.
Qualquer voz do lado informa: “ela foi ao banheiro”. 

Escrito na manhã de 17 de março de 2017.
Foto: ilustração Pixabay



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

RESENHA O Busão de Floripéia, de Salma Ferraz

Se beber, não dirija. Mas também não aceite a carona de estranhos. Pegue um ônibus, é bem melhor! 


Os desígnios dos teóricos da literatura, em dar voz a produção "ex-cêntrica" são concretizados pela escritora Salma Ferraz, por meio dos personagens que costuma criar, clima que muito senti ao ler O Busão de Floripeia (Edifurb, 2016). Eu me lembrei da teórica canadense Linda Hutcheon (Poética do Pós-Modernismo: História, Teoria e Ficção, Imago, 1991). Salma evoca Ferreira Gullar (Uma luz no chão): “A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos (…)”. 
O "povo nosso de cada dia" é a fonte de inspiração de suas obras. Neste seu trigésimo livro, são os motoristas de ônibus da Ilha da Magia (seus cobradores e passageiros) que dão os conteúdos para as histórias. O tom verídico dos textos está na preservação fiel das variações linguísticas, colocando o leitor quase que na condição de espião dos "causos" contados. Um dos pontos altos é "Susy Cuecão", que faz cair por terra o machismo arraigado como um plot twist, após o texto todo provar a sustentação do "homem macho". Território não só dominado, como já catalogado pela autora em seu Dicionário Machista (Jardim dos Livros, 2013 - Leia resenha http://bit.ly/DePasquimDicMach). Comoveu-me “A bênção da matriarca”, que atualiza uma relação entre mãe e filha, por meio do dogma da fé - e do sexo. 
A maioria das histórias gira em torno do sexo: do fazer, do pensar, do querer algo sobre ele. Daí se depreende uma leitura cotidiana como sendo "aquilo" o principal antídoto para o stress dos profissionais que pelo centro rodam. 
Há em O Busão da Floripeia muito do clima que já tínhamos em Nem sempre amar é tudo  (Edifurb, 2012 - Leia resenha em http://bit.ly/DePasquimNSAmarétudo), obra em que empregadas domésticas e idosos já afloraram histórias superssensíveis. 
Ler O Busão é tomar conhecimento do texto de Salma em sua formatação mais ousada. Histórias de famílias são narradas no entorno do busão. E muitas delas atacam preconceitos ao lhes encarar de frente e da forma mais simples.
O livro dispõe ainda de uma riquíssima caída histórica local, começando com inclinações poéticas e musicais de personas culturais de Florianópolis: digo histórica, uma vez que Salma catalogou e contou alguns dos marcos sociais-culturais das produções da ilha da Magia, no começo e meados do século XX. Há peripécias vividas e destacáveis formações profissionais que se pode conferir nos currículos que vêm em nota. Floripeia é sempre a musa inspiradora destas poesias e músicas no prólogo da obra. 
Em tempo, os traços do ilustrador Fabrício Garcia, o Manohead, fizeram-me demorar na capa e ativar o imaginário antes da leitura de cada uma das nove viagens roteirizadas por ela para embarcar e se envolver. 
Uma vez tive o prazer de publicar uma entrevista perfil de Salma Ferraz (Diário do Sudoeste, 2012), entitulada “Ela é o livro” na qual fiz a analogia “alma feroz”. Para mim, ela sempre soou assim. Leia aqui http://bit.ly/DePasquimElaéolivro 
Quem sabe a magia de Salma em seus textos popularescos seja alcançada por já ter escrito teóricos com tanta propriedade "sobre Deus e o diabo”. Assim, alcança territórios instáveis com muita facilidade e passa do grotesco e desbocado para uma leitura da humanidade. Ela escreve o inconsciente coletivo e verbaliza frases que muitos pensam e poucos dizem.



Salma foi minha professora na licenciatura em Letras Português e Literaturas em Língua Portuguesa na UFSC (2008-2012) e desde então tornou-se uma amiga querida. É um prazer receber seus livros em primeira mão e poder dissipar entre os meus. O pacote amarelo com o timbre da UFSC chegou em novembro de 2016 e a resenha estava prometida deste então, rascunhada nos primeiros quinze dias, tão logo li. Faltava o pente fino. Peraltices pessoais e dissertativas me impediram de publicar antes. Mas a passagem ainda é válida, está fresca, dá tempo de vc pegar esse busão!

terça-feira, 12 de julho de 2016

Uma história de amor e ervas aromáticas



Carreira: acreditava que não tinha perfil para Administração. Quando comecei na Faculdade Mater Dei, vi que era para mim, sim!” (Sandra Luiza de Oliveira)

por Daiana Pasquim | Foto e Arte: Lucas Piaceski

O aroma de manjericão, as cores das pimentas e a vivacidade da estufa rústica têm enchido os dias da administradora Sandra Luiza de Oliveira. Da Fazenda Gasperin, localizada em Mariópolis (PR), sai a produção mensal de ervas aromáticas, medicinais e condimentares, que entrega em um dos maiores supermercados de Pato Branco. 
Em 2008, ela trancou a graduação em Ciências Biológicas - quase concluída na UFPR (inclusive com apresentação de TCC, faltando apenas validar três disciplinas)- para vir ao Sudoeste se casar com o odontólogo Paulo Sérgio Gasperin. A distância da Capital e o amor falaram mais alto e ela se motivou a recomeçar um novo curso por aqui. Da ideia e vestibular para Agronegócio, acabou guinando para o curso de Administração na Faculdade Mater Dei. "O Anderson (Michelin, coordenador) me mostrou quanto às vantagens em estudar Administração. Acreditava que não tinha muito perfil, o primeiro vestibular que passei na vida foi em Adm, aos 20 anos, mas não quis fazer. Quando comecei na Mater Dei, vi que era totalmente ao contrário do que imaginava. Que era para mim, sim!", afirma convicta.
Já no 2º semestre de ADM entrou para a empresa júnior, na qual subiu de consultora para diretora-presidente. “Um dia a Stela (Maris de Lara - coordenadora Mater Junior) me perguntou o que eu pensava para meu futuro? Tinha uma certeza: queria trabalhar com plantas. Unir a Biologia com a Administração". Daí se concretizou o projeto de conclusão de curso com os colegas de grupo. 
Meio ano após a formatura em 2013, superado um hiato de amadurecimento, resolveu investir. Já pós-graduada em Gestão da Pessoas - Turma 4, da Faculdade Mater Dei (2014) e morando em fazenda, Sandra viu a oportunidade para remexer na terra e lançar sua semente de futuro. Iniciou, desta vez sozinha, o cultivo e comercialização de ervas em bandejas, para vender em agro-veterinárias de Mariópolis e Pato Branco. O negócio foi se definindo melhor há um ano (completados neste julho), quando começou a cultivar em vasos maiores e vender a planta no supermercado. "Dei uma expandida, aumentei a minha estufa de 60 para 100 metros e comecei a cultivar tempero fresco. Manjericão é o meu carro-chefe. Vendo a planta viva para quem quer cultivar; e o tempero fresco na bandejinha para usar em casa. Agora comecei a cultivar também um mix de ervas em jardineiras e algumas variedades de pimentas”.
Sandra ainda não têm funcionárias, mas caminha para a formalização. Até junho trabalhava apenas como produtora rural, quando procurou o Sebrae para se registrar como Microempresária Individual (MEI) e agora investe para criar seu nome no comércio. “Quero registrar uma marca, alavancar um pouco mais as vendas e ir para outras cidades. Tenho ambição em crescer”, projetou a empresária.

O marido, ah sim! Há dois anos e meio desmontou o consultório odontológico para se dedicar, como Sandra, a ser empresário rural. Indiscutivelmente, vocação e carreira na região. 


Reportagem realizada em julho de 2015 e publicada na sessão Carreira da Revista Okay.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lançado Scarlet Foot, da Christoferson: som extremamente contemporâneo, em sua antiguidade


Volta à tona o pontapé que o garoto deu na poça de lama em 1965; momento eternizado pelo fotógrafo João de Paula logo em sua chegada a Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. A foto, premiada em 2004, ilustra a capa de Scarlet Foot, segundo álbum independente da banda pato-branquense Christoferson, denominada recentemente como "Os Blueseiros de Pé Vermelho”, na editoria Música da revista Vanilla (abril/2015)
Com um pé no passado - ao resgatar uma foto de meio século para identificar a obra fonográfica - o outro está no futuro, já que Scarlet Foot está oficialmente disponível nesta terça-feira (26) em diversos serviços de distribuição de música, como OneRPM, Spotify, Deezer, Rdio, YouTube e Tidal, entre outros. Pode ser adquirido tanto pelo sistema IOS, quanto Android. 
A banda, composta por Lucas Piaceski (composição, guitarra e vocal), Matheus Angeli (baixo) e Luís Henrique Cunico (bateria), chega ao seu nono ano de vida e evolui do Buffalo, o primeiro álbum lançado no Aldeia Musical do SESC Pato Branco, em 2013, com nove faixas. Agora são dez com muito mais indie rock, mas principalmente blues. 
Scarlet Foot vem bastante ambientado em meados do século XX, potencializado na parceria com João de Paula, que em 2015 completa 50 anos em que começou a desbravar as minúcias pelas lentes objetivas e grande angulares das cenas pato-branquenses mais cotidianas; quanto pelos instrumentos musicais usados na gravação: grande parte feita com a guitarra Harmony 1962 e referências buscadas em uma velha guarda internacional. Deste prisma, surge um som extremamente contemporâneo, em sua antiguidade.


O álbum

O álbum tem baixo marcado e forte apelo a percussões - assobio, shaker, apito indígena e riff de bandolim, com presença dos agudos arrastados do slide na guitarra, regados a profundos backing vocals. Em termos de produção, este álbum vem com detalhes de simplicidade mais limpos que os encontrados em Buffalo, o primeiro da banda, gravado com um só microfone Blue Yeti e em grande parte, ao vivo.  
A sonoridade de Scarlet Foot transcorre distintos estilos: do lado mais hard do blues presente em Olives Catcher ao blues genuíno de Humble Job Blues, com o clima Western e Folk de Sun and Powder, mas comovendo com o tato de Soul sentido no compasso Winter Time. O hit Watch Out! sobe dos pés à cabeça. Com esta indicativa de composições, pode-se afirmar que Scarlet Foot segue uma trilha de diferentes pavimentos, mas que se une pela característica de alterações de ritmos que tanto caracterizam as produções do trio Christoferson, o que culmina em Evenin' cover de T’Bone Walker, que fecha a obra. 
Scarlet Foot é um corpo de sangue novo com o pé no passado, um álbum que exigiu tempo de produção maior, reflexo também da maturidade da banda. Tem um som sem máculas e em detalhados momentos mostra um "dedinho" em elementos sonoros surpreendentes, encontrados na cultura indígena ou na natureza, que compõem a percussão para além da bateria, conferindo um toque realmente diferenciado a esta obra fonográfica.
Para ver clipes e conhecer mais sobre a banda, acompanhe nas redes sociais buscando Christoferson CO. 

Seguem links para acessar direto:
iTunes:

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SoundCloud:

Spotify:

Assessoria de Comunicação Christoferson
Daiana Pasquim - Jornalista DRT/PR 5613 
Agência PQPK

domingo, 26 de abril de 2015

Fotografia da foto, no esconderijo secreto de João de Paula

Lucas Piaceski, João de Paula com a ampliação original do garoto de 1965 e Daiana Pasquim
Em tinta azul fraca encontrava-se na velha agenda o número de telefone do fotógrafo mais popular e tradicional de todos os tempos em Pato Branco (PR): João de Paula. Disquei o número após anos desde o último contato e foi o próprio que atendeu do outro lado da linha. Tratava-se de uma segunda-feira, aos vinte e três dias do mês de fevereiro, no ano em que ele completará 80; e marcamos uma visita em sua casa às 14h do dia seguinte. Endereço em punho e com algumas rodadas pelo bairro Fraron, chegamos na Rua Clevelândia, 105. É o refúgio dos De Paula desde o fechamento e venda do estúdio fotográfico no coração da Caramuru, em frente a Prefeitura. Foi lá que conheci seus pertences e histórias de vida pela primeira vez e isso foi há uma década. Escrevi a reportagem perfil de suas fotos premiadas em 2005 e, por meio delas, contextualiza-se a ligação imagética de João de Paula com a história do município. Meio século, em 2015, desbravando minúcias pelas lentes objetivas e grande angulares das cenas mais cotidianas, como a do menino que em 1965 chutava a poça d´água e que tanto queríamos (por ocasião da visita) para ilustrar o trabalho musical que estamos a concluir. Conhecer o seu esconderijo secreto foi a proposta lançada pelo fotógrafo logo de cara. Assim, rodeamos a casa indo aos fundos do quintal... muitas joias a nós revelou, com a tarde eternizada por esta imagem. 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Pré-resenha musical: Scarlet Foot, de Christoferson


Sempre genuíno, faz-se um som extremamente contemporâneo, em sua antiguidade
Após presenciar a cavalgada a quatro patas, levei uma pisada de “locomoção" forte e impregnante e não há garantias de que você também não vá se "abalar". Trabalhando com os sinônimos, gosto de pensar que o rastro deixado pelo novo álbum Scarlet Foot, segundo do trio Christoferson, realmente transcorre os ouvidos, levando a sonoridade a vagar por distintos estilos: do lado mais hard do blues presente em Olives Catches ao blues genuíno de Humble Job Blues, com o clima Western e Folk de Sun and Powder, mas comovendo-me com o tato de Soul sentido no compasso Winter Time. O hitWatch Out! realmente sobe dos pés à cabeça. Com esta indicativa de composições, posso afirmar que Scarlet Foot segue uma trilha de diferentes pavimentos, mas que se une pela característica de alterações de ritmos que tanto caracterizam as produções do trio Christoferson, no álbum em produção com uma dúzia de faixas, incluindo Evenin', cover de T’Bone Walker. 
Com olhares de dentro da produção e o privilégio de passear por entre as faixas, vejo nascer cada nota e solo de guitarra, os assobios, o back vocal que toca fundo, os riffs que darão origem a uma grande música. Quando os fragmentos se unem, cada faixa pronta que termino de ouvir me faz soltar: “essa é a melhor que vocês já fizeram”. 
Em termos de produção, este álbum vem com detalhes de simplicidade mais limpos que os encontrados em Buffalo, o primeiro da banda, gravado com um só microfone e em grande parte, ao vivo. Scarlet Foot tem um som sem máculas e em detalhados momentos mostra um "dedinho" em elementos sonoros surpreendentes, encontrados na cultura indígena ou na natureza, que compõem a percussão para além da bateria, conferindo um toque realmente diferenciado a esta obra fonográfica. 
Scarlet Foot é um corpo de sangue novo com o pé no passado, já que a maioria das faixas tem sido gravadas com a guitarra Harmony de 1962. Com referências buscadas em uma velha guarda internacional, o som que Christoferson vai apresentar em Scarlet Foot é extremamente contemporâneo, em sua antiguidade. Um álbum que está exigindo um tempo de produção maior, devido aos dois pés no chão e aí também se sente a maturidade que a banda galga em seu nono ano de vida.
Para conhecer algumas faixas, ver clipes prévios e ouvir as novas músicas, acompanhe a banda nas redes sociais buscando Christoferson CO. #Ficaadica 


daipasquim@gmail.com