quinta-feira, 12 de abril de 2018

SEXTA-FEIRA 13 Suspense "Trabalhadores de Ferro" faz chover em cenário e tem criatura de 2,50 metros




Curta do diretor pato-branquense Lucas Piaceski terá duas únicas exibições abertas ao público, no Cinemax Pato Branco

Filme produzido com a intenção exclusiva de participar do circuito de festivais nacionais e internacionais, o curta-metragem "Trabalhadores de Ferro" foi escrito e dirigido pelo pato-branquense Lucas Piaceski e filmado inteiramente em Pato Branco. Mas como toda obra independente que conta com vários colaboradores, surgiu a oportunidade de realizar duas únicas exibições para prestigiar a todos que colaboraram direta ou indiretamente e também dar veias à cultura local, já que se criou intensa expectativa sobre a obra. Nas duas últimas semanas, a imprensa pato-branquense deu vozes à história de suspense com roteiro simples e de fácil identificação, que conta a jornada de um soldador.
Na divulgação da Fanpage do curta se apresenta o enredo com a máxima: "se olharmos em volta, parece que todos estão fazendo o que amam". Pessoas documentando suas viagens no Instagram; estrelas de cinema trabalhando em projetos dos sonhos com recursos ilimitados. "No entanto, o outro lado é sempre invisível. Às vezes, pessoas que trabalham em chão de fábrica têm um sonho longe dali. Talvez ser músico, pintor, inventor ou o que quer que seja. Estas pessoas, na maioria dos casos, atrasam este sonho por tempo indeterminado, e isso acaba se tornando apenas uma lembrança no passado", problematiza o diretor, revelando que "'Trabalhadores de Ferro' é justamente sobre a luta de um trabalhador que quer mudar e ir atrás de algo maior. O tema ressoa muito com minha própria jornada, por isso quis fazer um filme sobre o assunto".
A jornada mencionada vem da necessidade de externar uma história pensando em algo maior; um roteiro de longa que vem sendo escrito há dois anos. Isto porque Piaceski estuda na Academy of Art University (AAU), em San Francisco, na Califórnia e relaciona-se com professores que trabalharam em Game of Thrones, Stranger Things, Disney, Pixar e em colaboração com grandes diretores como Steven Spielberg. "A produção de um curta-metragem torna-se mais um passo a caminho deste objetivo maior que é trabalhar intensivamente na indústria cinematografica", projetou.
Escrever e dirigir curta-metragens tem sido degraus alçados por ele para alcançar seu objetivo. Em 2016, lançou "The Savage" (O Selvagem), curta de quase cinco minutos gerado em projeto final da disciplina de Cinematic Storytelling e sagrou-se vencedor, na AAU, do Flashpoint Film Festival San Francisco - CA, além de no Brasil, finalista da Mostra de Terror-Metragem 2016 do Rio de Janeiro e da Mostra Agrícola de Cinema Orgânico (Maco) de Santa Rita, Pernambuco. “The Savage” foi exibido na Semana Literária do Sesc Pato Branco 2016, na qual o diretor foi convidado para explanar sobre a obra, que realiza uma releitura bastante particular do folclórico personagem Saci-Pererê, da cultura brasileira. Saiba curiosidades da produção em https://thesavageshortfilm.wordpress.com/
"Trabalhadores de Ferro" vem com o dobro do tempo, 10 minutos, e com novos desafios: como a criação de uma criatura inédita como antagonista, medindo 2,50 metros com uma longa capa preta e máscara de zebra, diversas cenas noturnas e a necessidade de fazer chover no cenário. É uma obra bastante inspirada no clima Noir. "Os elementos do estilo nos ajudaram a evoluir a narrativa e, como todo Noir, "Trabalhadores de Ferro" tem a presença de um assassinato, o suspeito anti-herói, e o detetive, que é o próprio público tentando montar este quebra-cabeça", apontou.
Ficou curioso? Então não deixe de assistir a uma das exibições públicas e únicas no Cinemax Pato Branco, neste sábado ou domingo. Basta adquirir o ingresso para o filme Um Lugar Silencioso, dia 14 ou 15 de abril, na sessão das 18h45, acessando o site www.cinemaxpatobranco.com.br ou direto na bilheteria. O curta será exibido antes do filme principal.

Daiana Pasquim - Jornalista DRT/PR 5613
Fotos: Lucas Piaceski
Agência PQPK



quinta-feira, 6 de julho de 2017

Literatura em Sementes


Os "10" livros que todos deveriam ler!?
tentador e árduo convite para listar os textos imprescindíveis de serem lidos na vida veio da colega de profissão Mariana Salles. Pretensão, angústia, honradez passaram pela cabeça na hora. Passada a euforia, a fórmula foi simples, listar numa página tudo que me veio à mente, os livros que mais me marcaram na formação pessoal e profissional, pois há uma certa doutrina que acompanha um estudante da área de Letras. Eu escorreguei e listei 12, como os discípulos, os meses do ano, os símbolos do zodíaco... 
Espero que gostem! Se já têm opinião ou curiosidade sobre algumas dessas obras, deixe o seu comentário ;)


O voo da Guará vermelha (2005), de Maria Valéria Rezende
Obra fora dos eixos de grandes centros é o primeiro romance desta freira escritora (premiada no Jabuti por Quarenta Dias e no Casa de Las Américas por Outros Cantos). Protagonizada por uma prostituta com Aids e um servente de pedreiro, ambos atravessando o seu próprio “sertão" (solidão). Do prisma dos invisíveis, o romance é uma homenagem às histórias, que dão novas oportunidades de vida para ambos. 

Como água para chocolate (1989), de Laura Esquivel
Obra latino-americana que inaugura um novo gênero, segundo alguns críticos, a cozinha-ficção. Explora a sensação do bolinho na gordura quente, a essência das lágrimas nascida da cebola, as formas de amor presentes na jovem Tita, a quem é imposto um costume cultural mexicano. A obra, que tem filme homônimo de Alfonso Arau, demonstra ser possível mudar destinos.

Um teto todo seu (1929), de Virginia Woolf
Apesar de ser uma obra de ensaios, não um dos famosos romances da escritora inglesa, mostra com nitidez o percurso que a mulher fez, principalmente no século XIX, para ter hoje suas conquistas, em especial no universo das letras.

Felicidade Clandestina (1971), de Clarice Lispector
Livro de contos muito indicado pelas universidades, promove um mergulho em seu âmago valorizando as minuciosas coisas da vida: na infância, na adolescência, na vida em família; desde um simples chiclé a um livro ou conquista para a vida toda.

Emília no País da Gramática (1934), de Monteiro Lobato
De uma forma leve e bem-humorada, a obra colabora com a aprendizagem de nossa língua materna. Perfeita para aqueles que detestam estudar Língua Portuguesa; faz cultivar a vontade de escrever, falar bem, compreender as ações da língua. 

Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro, 1886), de Robert Louis Stevenson
Uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial, clássico do Duplo. A obra do escocês escrita em seis dias a partir de um pesadelo é repleta de suspenses, com crimes, mistérios e investigações capciosas. 

A Queda da Casa de Usher (1839), de Edgar Allan Poe
Dramático universo aterrorizante, conto da literatura gótica carregado de melancolia que descreve a relação de um casal de irmãos, os Usher, na narrativa de um antigo amigo de infância. Se for para escolher ao menos uma obra de Poe para conhecer, obrigatório ser esse texto.

Casa-Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre
Apresenta com nitidez a formação da sociedade brasileira escravagista e permite compreender algumas heranças da miscigenação, de costumes culturais e gastronômicos, de formação político-histórica, enfim, do “jeitinho brasileiro”.

Édipo Rei, de Sófocles (472 a.C)
Clássica tragédia grega, fundamental para compreender a relação mãe e filho, entre tantas outras significações. Por meio dele, indico de modo geral a leitura de mitologia grega, pois é um berço para compreendeer os mitos que sustentam o funcionamento da humanidade. Sugestão, Dicionário de Mitos Literários, de Pierre Brunel.

A Arte Poética (335 a.C. e 323 a.C.),  de Aristóteles
Primeiro tratado sobre a literatura de que temos notícia, disseca os elementos. Explica a formação de condições como a catarse e a mimese, e de produções como a tragédia e a comédia. Enfim, fundamental. Também indicaria O Demônio da Teoria, de Antoine Compagnon, que discorre sobre a dialética da leitura, as relações da obra, diante do autor, do leitor e do mundo. “O texto instrui, o leitor constrói”. Colabora na formação do sujeito crítico para a análise de textos artísticos.

Daiana Pasquim, jornalista, professora e mestre Letras: Literatura, Sociedade e Interartes

Artigo originalmente escrito em Maio de 2017

Matéria publicada no caderno Almanaque do Jornal Diário do Sudoeste Data: 13 e 14/05/2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

CRÔNICA de INSS: Iguais Nunca Sofrem Sozinhos - a metamorfose



Faixa no pé, papéis na mão e nos olhos aquela expressão cansada de quem amanheceu com as galinhas e viajou cerca de uma hora para aqui chegar. A maioria de ônibus. Sentiu o frio da madrugada dessas vésperas de Outono, que em três dias chegará para as folhas metamorfosear. E nas mãos aquele calhamaço de folhas da previdência social: o requerimento de benefício por incapacidade, o atestado médico com o CID certo, os doze holerites que atestavam os reais recebidos no último ano, carteira de trabalho há tempos não assinada, comprovante de endereço (do município correto onde está morando agora - e não de qualquer outro lugar no qual já tenha feito a sua vida), RG, CPF, original e cópia; Ah, você é mãe!? Certidão de nascimento de seu filho, carteira de vacinação, original e cópia. E eu estou aqui ao vivo, cópia e original. Porque o original é o que precisa receber o benefício de um valor por hora contado como perdido - aquela metade do salário, o labor de quinze dias, vai se perdendo nos rostos inexpressivos atrás das mesas numeradas e azuis, na carranca dos médicos - menos quando conversam entre si - e nas faces de espera, impacientes, desoladas, amanhecidas, amassadas, enfaixadas, com pastas e sacolas de documentos em mãos. Papelada. Papelão. A cópia é o que vai se macerando em meio a esse cenário, o que sobra após tudo isso. Espero, espero tanto, as cadeiras e as folhas vão mudando de lugar: de botinas para sapatos femininos, de sapatos masculinos para sapatilhas, de tênis para sapatos, pessoas de peso e idades diferentes mas tão iguais. E as cadeiras do painel dois vão se esvaziando, eu esperando, esperando… É salteada, essa senha não sequencial,  atendimento espontâneo,  bla bla bla… Aquela sensação que não vai ser atendida nunca. Um suspiro profundo para manter a calma a cada senha chamada, que não a minha, gente que me é igual e chegou depois, bem depois. Já foi, já resolveu. E eu  espetada. Gostava do 7, do 47. A ironia dos números: tempo médio de espera de 40 min, cheguei 8h25. Já passou das dez. O horário de espera duas vezes. A sala que esvaziou, voltou a encher... Bla bla bla. Bonés,  boinas,  papéis.  Muletas, mais faixas, uma tossida, os móveis imóveis, os dedos mais grossos deslizando pelas telas, cabeças baixas naquela posição que em muito tempo prejudica a sua coluna, pés batendo no chão, mãos batendo nas pastas, dedos inquietos,  chapéus nas cabeças, oleosidade também. Uns bens cheirosos, com roupa de missa, outros nem tanto, todos à espera. Sentando, calando, tantos passando os dedos na tela, bateria fraca, paciência lenta, debilitada, quase esgotando. Mas vamos ficando, pensamento voando, presos anêmicos do sistema, essa previdência que me permite persistir, insistir, assistir aos passos, impacientes, para lá e para cá, papéis já um pouco amassados, bocejos, pés batendo, será que já perdi a senha enquanto escrevia? Levante a cabeça a cada sinal sonoro. Não perca, não esqueça, aqueça a esperança, está quente a sala, ainda bem que é quase outono. Uma boa mistura de ingredientes: uma porção de gente, de  discrepantes pachorras e traquejos, em que se adiciona o tempo e as condições da estação, somam um objetivo em comum. Metamorfose. Chamam meu maço de folhas, enfim. Pouco mais de duas horas depois. Tudo conferidinho, um leve sorriso, senha nova. Espera, espera. Mais passos de um lado para o outro contemplados em minha inércia. O segurança é o mais vivo, pois anda para lá e para cá. Ficar sentada chateia, achata, assenta, copializa… pouca brisa, ar condicionado, tudo fechado. Grandes máquinas com grade. Todos iguais. Gente, já ausente, só de corpo presente. O pensamento voa, voa, à toa, até ficar impaciente, novamente. Sou tão indiferente! De repente, a porta do senhor Doutor abre, chama um nome. Silêncio. Repete-0. Sem passos.
Qualquer voz do lado informa: “ela foi ao banheiro”. 

Escrito na manhã de 17 de março de 2017.
Foto: ilustração Pixabay



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

RESENHA O Busão de Floripéia, de Salma Ferraz

Se beber, não dirija. Mas também não aceite a carona de estranhos. Pegue um ônibus, é bem melhor! 


Os desígnios dos teóricos da literatura, em dar voz a produção "ex-cêntrica" são concretizados pela escritora Salma Ferraz, por meio dos personagens que costuma criar, clima que muito senti ao ler O Busão de Floripeia (Edifurb, 2016). Eu me lembrei da teórica canadense Linda Hutcheon (Poética do Pós-Modernismo: História, Teoria e Ficção, Imago, 1991). Salma evoca Ferreira Gullar (Uma luz no chão): “A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos (…)”. 
O "povo nosso de cada dia" é a fonte de inspiração de suas obras. Neste seu trigésimo livro, são os motoristas de ônibus da Ilha da Magia (seus cobradores e passageiros) que dão os conteúdos para as histórias. O tom verídico dos textos está na preservação fiel das variações linguísticas, colocando o leitor quase que na condição de espião dos "causos" contados. Um dos pontos altos é "Susy Cuecão", que faz cair por terra o machismo arraigado como um plot twist, após o texto todo provar a sustentação do "homem macho". Território não só dominado, como já catalogado pela autora em seu Dicionário Machista (Jardim dos Livros, 2013 - Leia resenha http://bit.ly/DePasquimDicMach). Comoveu-me “A bênção da matriarca”, que atualiza uma relação entre mãe e filha, por meio do dogma da fé - e do sexo. 
A maioria das histórias gira em torno do sexo: do fazer, do pensar, do querer algo sobre ele. Daí se depreende uma leitura cotidiana como sendo "aquilo" o principal antídoto para o stress dos profissionais que pelo centro rodam. 
Há em O Busão da Floripeia muito do clima que já tínhamos em Nem sempre amar é tudo  (Edifurb, 2012 - Leia resenha em http://bit.ly/DePasquimNSAmarétudo), obra em que empregadas domésticas e idosos já afloraram histórias superssensíveis. 
Ler O Busão é tomar conhecimento do texto de Salma em sua formatação mais ousada. Histórias de famílias são narradas no entorno do busão. E muitas delas atacam preconceitos ao lhes encarar de frente e da forma mais simples.
O livro dispõe ainda de uma riquíssima caída histórica local, começando com inclinações poéticas e musicais de personas culturais de Florianópolis: digo histórica, uma vez que Salma catalogou e contou alguns dos marcos sociais-culturais das produções da ilha da Magia, no começo e meados do século XX. Há peripécias vividas e destacáveis formações profissionais que se pode conferir nos currículos que vêm em nota. Floripeia é sempre a musa inspiradora destas poesias e músicas no prólogo da obra. 
Em tempo, os traços do ilustrador Fabrício Garcia, o Manohead, fizeram-me demorar na capa e ativar o imaginário antes da leitura de cada uma das nove viagens roteirizadas por ela para embarcar e se envolver. 
Uma vez tive o prazer de publicar uma entrevista perfil de Salma Ferraz (Diário do Sudoeste, 2012), entitulada “Ela é o livro” na qual fiz a analogia “alma feroz”. Para mim, ela sempre soou assim. Leia aqui http://bit.ly/DePasquimElaéolivro 
Quem sabe a magia de Salma em seus textos popularescos seja alcançada por já ter escrito teóricos com tanta propriedade "sobre Deus e o diabo”. Assim, alcança territórios instáveis com muita facilidade e passa do grotesco e desbocado para uma leitura da humanidade. Ela escreve o inconsciente coletivo e verbaliza frases que muitos pensam e poucos dizem.



Salma foi minha professora na licenciatura em Letras Português e Literaturas em Língua Portuguesa na UFSC (2008-2012) e desde então tornou-se uma amiga querida. É um prazer receber seus livros em primeira mão e poder dissipar entre os meus. O pacote amarelo com o timbre da UFSC chegou em novembro de 2016 e a resenha estava prometida deste então, rascunhada nos primeiros quinze dias, tão logo li. Faltava o pente fino. Peraltices pessoais e dissertativas me impediram de publicar antes. Mas a passagem ainda é válida, está fresca, dá tempo de vc pegar esse busão!

terça-feira, 12 de julho de 2016

Uma história de amor e ervas aromáticas



Carreira: acreditava que não tinha perfil para Administração. Quando comecei na Faculdade Mater Dei, vi que era para mim, sim!” (Sandra Luiza de Oliveira)

por Daiana Pasquim | Foto e Arte: Lucas Piaceski

O aroma de manjericão, as cores das pimentas e a vivacidade da estufa rústica têm enchido os dias da administradora Sandra Luiza de Oliveira. Da Fazenda Gasperin, localizada em Mariópolis (PR), sai a produção mensal de ervas aromáticas, medicinais e condimentares, que entrega em um dos maiores supermercados de Pato Branco. 
Em 2008, ela trancou a graduação em Ciências Biológicas - quase concluída na UFPR (inclusive com apresentação de TCC, faltando apenas validar três disciplinas)- para vir ao Sudoeste se casar com o odontólogo Paulo Sérgio Gasperin. A distância da Capital e o amor falaram mais alto e ela se motivou a recomeçar um novo curso por aqui. Da ideia e vestibular para Agronegócio, acabou guinando para o curso de Administração na Faculdade Mater Dei. "O Anderson (Michelin, coordenador) me mostrou quanto às vantagens em estudar Administração. Acreditava que não tinha muito perfil, o primeiro vestibular que passei na vida foi em Adm, aos 20 anos, mas não quis fazer. Quando comecei na Mater Dei, vi que era totalmente ao contrário do que imaginava. Que era para mim, sim!", afirma convicta.
Já no 2º semestre de ADM entrou para a empresa júnior, na qual subiu de consultora para diretora-presidente. “Um dia a Stela (Maris de Lara - coordenadora Mater Junior) me perguntou o que eu pensava para meu futuro? Tinha uma certeza: queria trabalhar com plantas. Unir a Biologia com a Administração". Daí se concretizou o projeto de conclusão de curso com os colegas de grupo. 
Meio ano após a formatura em 2013, superado um hiato de amadurecimento, resolveu investir. Já pós-graduada em Gestão da Pessoas - Turma 4, da Faculdade Mater Dei (2014) e morando em fazenda, Sandra viu a oportunidade para remexer na terra e lançar sua semente de futuro. Iniciou, desta vez sozinha, o cultivo e comercialização de ervas em bandejas, para vender em agro-veterinárias de Mariópolis e Pato Branco. O negócio foi se definindo melhor há um ano (completados neste julho), quando começou a cultivar em vasos maiores e vender a planta no supermercado. "Dei uma expandida, aumentei a minha estufa de 60 para 100 metros e comecei a cultivar tempero fresco. Manjericão é o meu carro-chefe. Vendo a planta viva para quem quer cultivar; e o tempero fresco na bandejinha para usar em casa. Agora comecei a cultivar também um mix de ervas em jardineiras e algumas variedades de pimentas”.
Sandra ainda não têm funcionárias, mas caminha para a formalização. Até junho trabalhava apenas como produtora rural, quando procurou o Sebrae para se registrar como Microempresária Individual (MEI) e agora investe para criar seu nome no comércio. “Quero registrar uma marca, alavancar um pouco mais as vendas e ir para outras cidades. Tenho ambição em crescer”, projetou a empresária.

O marido, ah sim! Há dois anos e meio desmontou o consultório odontológico para se dedicar, como Sandra, a ser empresário rural. Indiscutivelmente, vocação e carreira na região. 


Reportagem realizada em julho de 2015 e publicada na sessão Carreira da Revista Okay.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lançado Scarlet Foot, da Christoferson: som extremamente contemporâneo, em sua antiguidade


Volta à tona o pontapé que o garoto deu na poça de lama em 1965; momento eternizado pelo fotógrafo João de Paula logo em sua chegada a Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. A foto, premiada em 2004, ilustra a capa de Scarlet Foot, segundo álbum independente da banda pato-branquense Christoferson, denominada recentemente como "Os Blueseiros de Pé Vermelho”, na editoria Música da revista Vanilla (abril/2015)
Com um pé no passado - ao resgatar uma foto de meio século para identificar a obra fonográfica - o outro está no futuro, já que Scarlet Foot está oficialmente disponível nesta terça-feira (26) em diversos serviços de distribuição de música, como OneRPM, Spotify, Deezer, Rdio, YouTube e Tidal, entre outros. Pode ser adquirido tanto pelo sistema IOS, quanto Android. 
A banda, composta por Lucas Piaceski (composição, guitarra e vocal), Matheus Angeli (baixo) e Luís Henrique Cunico (bateria), chega ao seu nono ano de vida e evolui do Buffalo, o primeiro álbum lançado no Aldeia Musical do SESC Pato Branco, em 2013, com nove faixas. Agora são dez com muito mais indie rock, mas principalmente blues. 
Scarlet Foot vem bastante ambientado em meados do século XX, potencializado na parceria com João de Paula, que em 2015 completa 50 anos em que começou a desbravar as minúcias pelas lentes objetivas e grande angulares das cenas pato-branquenses mais cotidianas; quanto pelos instrumentos musicais usados na gravação: grande parte feita com a guitarra Harmony 1962 e referências buscadas em uma velha guarda internacional. Deste prisma, surge um som extremamente contemporâneo, em sua antiguidade.


O álbum

O álbum tem baixo marcado e forte apelo a percussões - assobio, shaker, apito indígena e riff de bandolim, com presença dos agudos arrastados do slide na guitarra, regados a profundos backing vocals. Em termos de produção, este álbum vem com detalhes de simplicidade mais limpos que os encontrados em Buffalo, o primeiro da banda, gravado com um só microfone Blue Yeti e em grande parte, ao vivo.  
A sonoridade de Scarlet Foot transcorre distintos estilos: do lado mais hard do blues presente em Olives Catcher ao blues genuíno de Humble Job Blues, com o clima Western e Folk de Sun and Powder, mas comovendo com o tato de Soul sentido no compasso Winter Time. O hit Watch Out! sobe dos pés à cabeça. Com esta indicativa de composições, pode-se afirmar que Scarlet Foot segue uma trilha de diferentes pavimentos, mas que se une pela característica de alterações de ritmos que tanto caracterizam as produções do trio Christoferson, o que culmina em Evenin' cover de T’Bone Walker, que fecha a obra. 
Scarlet Foot é um corpo de sangue novo com o pé no passado, um álbum que exigiu tempo de produção maior, reflexo também da maturidade da banda. Tem um som sem máculas e em detalhados momentos mostra um "dedinho" em elementos sonoros surpreendentes, encontrados na cultura indígena ou na natureza, que compõem a percussão para além da bateria, conferindo um toque realmente diferenciado a esta obra fonográfica.
Para ver clipes e conhecer mais sobre a banda, acompanhe nas redes sociais buscando Christoferson CO. 

Seguem links para acessar direto:
iTunes:

Facebook:

YouTube:

SoundCloud:

Spotify:

Assessoria de Comunicação Christoferson
Daiana Pasquim - Jornalista DRT/PR 5613 
Agência PQPK