quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CRÍTICA LITERÁRIA: Convivendo com Game of Thrones




Encantada pelo universo medieval, boas horas de leitura fluída que tenho conquistado são mergulhadas neste portal criado pelo escritor estadunidense George R.R.Martin. Neste artigo, após concluir a leitura de Guerra dos Tronos, faço uma crítica literária que estabelece um diálogo entre os capítulos e as cenas, já que a obra também virou seriado


Diante de um livro com mais de mil páginas dá uma satisfação em saber que as últimas 300 li num mesmo domingo – em que pese haver mais quatro irmãos do mesmo autor, um deles com mais de 1.400 páginas. Ganhei Games of  Thrones no aniversário, pouco antes de entrar a primavera de 2013, mas só consegui começar a lê-lo, de fato, uns dois meses depois, pouco antes da viagem de férias, quando nas tardes de veraneio com maresia na ora que o sol a pino e proximidades impedia a exposição da pele, percorria de 100 a 200 páginas  e suas casas. Foi só após o retorno para casa e para a vida, mais organizada no ano que se iniciava, que mergulhei na página 300 adiante. Entre as batalhas diárias que travei com os afazeres, houve um tempo em que o pegava para percorrer míseras dez páginas, o que se tornava impotente para concluir um único capítulo. Não por não ter sido ferroada pelo doce da história de George R. R. Martin, 65, mas por ter outras demandas desse mundo de outrora a cumprir.
Mas se a biografia do autor dão informações como: ele levou seis anos para fazer cada obra (tenho em mãos a coleção da Editora Leya, com tradução de Jorge Candeias - a edição limitada da caixa, impressa em outubro de 2012), posso afirmar com assiduidade que se pode ler Game of Thrones (GoT) folgadamente em um mês ou um pouco mais, persistentemente em duas ou três semanas, se só fizer só isso. Convivi muito com a obra em janeiro de 2014, embrenhando-me em florestas, subindo montanhas, apalpando pedras de castelos, fazendo uma leitura profunda das descrições de personagens, espaços, tempos ora medidos pelas “salutares” e peculiares refeições, ora pelos castigos nas masmorras.
Coloco-me, a partir de agora, a avaliar em minúcias a obra um de George R.R.Martin, incluindo as comparações que vi até agora no seriado produzido pela HBO, com as devidas adaptações, demonstrando meu deslumbramento pelas construções “martinianas”.
Quando me faltava ainda as cabalísticas 66 páginas para concluir, tive o impulso na pausa da página mil e a ida ao banho, quando a água limpou a mente e fez surgir o esboço que abre esta crítica literária. Conclui o livro já com avarias nas páginas, uma leve orelha e algum amassado na capa, devido às centenas de vezes que abri e fechei esse portal medieval que sinto tanto me completar.
Entre as nuances da obra literária com a televisionada, passo a descrever minhas impressões sobre cada um destes tópicos:
A história de Daenerys é contínua e única, dividida para o livro;
Meus personagens prediletos
As diferenças na(s) ferida(s) de Eduard "Ned" Stark
A noite de amor de Khal e Khaleesi
A subida ao Ninho da Águia
A Espionagem e tragédia de Bran
A fidelidade em Jon Snow
Sansa não é tão sonsa
Cenários
Etc...

(Este é um artigo em construção... a qualquer momento, novas observações)




A história de Daenerys é contínua e única

A narrativa que envolve a menor Daenerys é tão intensa e contínua, que já fui levada a pensar que George R.R. Martin escreveu seu romance como uma obra à parte de Porto Real e Winterfell e, depois, só a pulverizou pelo livro 1. Claro que essa é uma impressão sustentada só no livro 1 e até a metade. Basta começar lembrar do Targaryen rei, dos bebês raptados e mortos, para perceber a ligação tão profunda dela com o trono de ferro. Você torce o livro todo, mas principalmente na série, para que ela seja proclamada rainha. Daenerys no trono de ferro é quase surreal, já que só vimos idiotas lá até o findar desta obra. Sabemos ser a “guerra dos tronos”, mas sua personagem me é sublime demais para querer só isso.
Quando Aemon, o Senhor Comandante da Patrulha da Noite revela a Jon Snow seu sobrenome e o peso Targaryen do antigo rei, queremos mais ainda que Daenerys avance como Khaleesi e detenha o poder, até porque ela vem como uma rainha justa, libertando os seus escravos. O desfecho para Dany no livro 1, após todo aquele sofrimento de perder o filho e o marido lhe é justíssimo e causa muita expectativa espantosa ao leitor. Impressionante a cena no seriado HBO. Intensa, eletrizante. No livro, é um “deleite”, com duplo sentido, já que os dragões lhes estavam grudados nos seios repletos de leite, o que ficou mais leve na versão televisiva. Deleite que só cresce ainda mais à medida que esperamos os animais se desenvolverem. Esse aumentar de tamanho vai multiplicando também o poder de sua rainha (aqui já adiantando a obra 2 adiante... já em leitura). Khaleesi, na série é bem mais madura e, por isso, firme.

A noite de amor de Khal Drogo e Khaleesi

Quanto às adaptações de cena, saliento a primeira noite de amor de Dany com Khal Drogo, que não se fez de tristeza com o toque de brutalidade como na série, mas foi romântica, de fato, após a cavalgada. Ela admirou Khal desde o primeiro momento e se deu a ele como sua mulher também desde o princípio, e ele, se deu a ela como seu homem. O capítulo em que ela destrança seus cabeços, tocando e abrindo seus anéis de guerreiro que nunca perdeu, se sobressaem à necessidade da cena onde Khal demonstra sua superioridade masculina.

(...) Drogo tocou-lhe levemente os cabelos, fazendo deslizar as madeixas loiro-prateadas entre os dedos e murmurando suavemente em dothraki. Dany não compreendeu as palavras, mas havia calor na entoação, uma ternura que nunca esperara daquele homem. Pôs um dedo em seu queixo e ergueu-lhe a cabeça, para que ela o olhasse nos olhos. Drogo erguia-se acima dela como se erguia acima de toda a gente. Pegando-a agilmente por baixo dos braços, ergueu-a e sentou-a numa rocha arredondada ao lado do riacho. Depois, sentou-se no chão diante dela, de pernas cruzadas sobre o corpo, com o rosto de ambos ao mesmo nível. (MARTIN, 2012, p. 138)

E olha que este capítulo de amor é no que podemos chamar de começo do livro, eles se amariam muitas e muitas vezes ao longo das páginas. E quando Dany aprende as artes do amor com suas aias, enquanto a cena soa com certa insegurança de alguém que quer ter voz e vez, no capítulo vemos uma menina ganhando, de fato, o coração de Drogo e, de quebra, de todo o Khal, já que eles se amam na frente de todos, sob o luar. Estas observações não são uma crítica à interpretação de Emily Clark, que é brilhante e linda no papel, mas observação quanto à forma como a cena foi tomada.


Personagens prediletos

Claro que a essa altura deu para perceber que Daenerys é uma de minhas prediletas e, com ela, o anão Tyrion Lannister, Arya Stark, Jon Snow e seu amigo Samwell Tarly, além de Jaime Lannister, estes últimos secundários, é verdade, não há narração partindo deles, contudo, enxergo em Sam e no Regicida, potencialmente, características complexas.
(Escreverei mais sobre isto)


Cenários

Que dizer dos cenários espetacularmente descritos e tão bem compostos para a série. Agora me atenho, por exemplo, à subida ao Ninho da Águia, no livro 1, cujo momento na série passou praticamente em branco. Enquanto rolamos diversas páginas para chegar ao topo do ninho, em minutos, da captura de Tyrion por Catelyn, praticamente já no alto do castelo, apresentando-se a Lisa Arryn. Quantas brilhantes construções, pedras, íngremes subidas, mulas, técnicas que, se transportadas à cena, tornariam o seriado excessivamente caro em figuração e cenário. Mas o quanto se perdeu sem mostrar essa técnica. No seriado, o único sentido que fazia quando o menino mimado Robert Arryn afirmava que queria ver o homenzinho voar, se fez com a abertura daquele poço, o buraco no meio da sala, que no capítulo da luta sem tinha. Esta, ocorreu no jardim, ao redor da estátua, isto sim.



Ainda os telhados de Winterfell, local onde os ávidos pezinhos de Bran correm antes da queda. Queda que, por sinal, foi um tanto diferente no capítulo, em vista da cena. Neste, Bran escutou, de fato, uma conspiração dos gêmeos contra seu pai e havia corrido muito sobre o castelo até chegar no alto onde Cersei e seu amado irmão loiro estavam. Na cena, ele escala só aquele muro e já chega a eles. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Christoferson Agência apoia projeto de cinema aliado à senso crítico


Cinema é uma de nossas paixões e como sócios da Christoferson Agência Audiovisual, Lucas Piaceski e eu estamos engajados no projeto Mater Cine, que consiste em aliar cinema a debates de senso crítico, para obras que permitam lançar um olhar artístico, sociológico, filosófico, ético, educacional, e tantos recortes que fazem a vida valer a pena. 
Os conhecimentos cineastas de Lucas como arte-finalista, editor de imagens, músico e compositor e os meus como jornalista e professora com formação em Literaturas em Língua Portuguesa entrarão em ação na hora de preparar os thrillers e a ficha técnica dos longa-metragem em cada módulo. 
Apoiamos o projeto por incentivar a cultura e a arte. Sempre acreditamos que o direito autoral deva ser não só preservado, como divulgado, por isso, a direção de cada filme, elenco e enredo, estarão em foco nas nossas divulgações. É preciso contribuir para que a sociedade possa apurar o olhar para o cinema. Nós que produzimos audiovisuais sabemos reconhecer o valor de uma boa direção de fotografia e direção de arte. Por isso, estamos juntos com a Faculdade Mater Dei nesta, não só por serem nossos clientes de Assessoria de Comunicação na agência, mas porque acreditamos nesta causa!
Leia o texto que produzi sobre o projeto e já enviei para a imprensa e conheça em detalhes essa ideia:

Mater Dei inicia ano acadêmico lançando projeto de cinema aberto à comunidade

Mater Cine é o seu nome, e a primeira sessão já tem seus quatro filmes selecionados, com abordagens bem distintas: “A Onda” (2008), filme alemão dirigido por Dennis Gansel e estrelado por Jürgen Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich e Max Riemelt - inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda; “Justiça para Todos”, dirigido por Norman Jewison, com Al Pacino vivendo o advogado idealista Arthur Kirkland, que já teve vários desentendimentos (inclusive já foi preso por desacato) com Fleming (John Forsythe), um inflexível juiz, o qual é preso e pede para ser defendido pelo próprio advogado rival; “Kevorkian”, dirigido por Barry Levinson, igualmente com Al Pacino, desta vez vivendo o médico estadunidense Jack Kevorkian, que ficou mundialmente conhecido como dr. Morte ao ajudar pacientes de câncer terminal a cometerem suicídio; “A Corrente do Bem”, dirigido por Mimi Leder, com Kevin Spacey e Helen Hunt, onde um professor desafia seus alunos a ter uma ideia para melhorar o mundo e colocá-la em prática.
Isto mesmo, quatro filmes exibidos durante um semestre acadêmico, seguidos de muito debate. Essa é a proposta do projeto que nasceu dentro do curso de Direito da Faculdade Mater Dei, trabalhada internamente no ano de 2013, quando se estendeu para todos os cursos da faculdade, bem como para a comunidade. As exibições vão acontecer no Auditório Algemiro Pretto e a data exata do primeiro módulo será divulgada em breve, tão logo o reinício das aulas, no próximo dia 3 de fevereiro.

Concepção e temas
Chegar a estes quatro primeiros longas gerou muito senso crítico. Os idealizadores, professores Valmir Chiochetta Junior, coordenador do curso de Direito, Cléber Rigailo e Liriane Camargo, fizeram, cada um, uma lista com 50 indicações. O segundo passo foi fazer a comparação das três listas. Posteriormente, essa lista foi reduzida de 150 para 40 filmes, para que se pudesse trabalhar quatro filmes em cada período.
“Esse projeto é um sonho antigo, de quem ama o Direito e o Cinema. (...) Após conversa com os demais coordenadores do projeto (Cléber e Liriane), revisamos a lista dos filmes, adaptando-a a uma visão mais generalista, que englobasse assuntos de diversas ordens, buscando assim contemplar o maior número possível de temas para serem abordados pelo Mater Cine. Aliás, fizemos um trabalho que permitisse não só a participação dos demais cursos, envolvendo assim toda a Faculdade, mas também permitindo que a comunidade em geral pudesse participar, haja vista que os temas são de interesse geral, com algumas abordagens jurídicas e outras de cunho artístico, educacional, filosófico, sociológico, etc”, pontuou o coordenador do curso de Direito.

Continuidade
Ao longo do ano, serão dez módulos de 4 sessões por módulo, com cinco horas de certificação para cada sessão. No entanto, não será tratada como disciplina curricular, mas sim como atividade de extensão, permitindo a participação da comunidade em geral.
“Permitir a participação da comunidade não só garante o acesso à cultura, pelo cinema, mas provocará nos participantes o incentivo às discussões envolvendo os temas abordados, o aprofundamento de determinadas áreas do conhecimento e o senso crítico sob determinada ótica abordada nos debates que se farão após as sessões. O ganho é imensurável, não só pelo acesso a sessões de cinema, que não temos essa possibilidade em Pato Branco, mas também por debater os assuntos abordados nos filmes”, confia Chiochetta.
Com o apoio da Assessoria de Comunicação do Mater Dei, Christoferson Agência - que produzirá audiovisuais com trechos dos trailers e ficha técnica das obras-, cada sessão se apresentará da seguinte forma: pelo menos um dos coordenadores do projeto fará a apresentação do filme, seguida da exibição do longa metragem, com um breve intervalo de 10 minutos. Após a sessão, será aberta a mesa de discussão, com a participação dos coordenadores do projeto e, eventualmente, algum professor convidado, especialista na área que está sendo discutida no filme, contando com a participação de todos os presentes, que poderão fazer uso da palavra, debatendo todos os aspectos abordados na película.
Pela estrutura acadêmica, crítica e certificação, haverá um custo bem acessível por sessão, barateada ainda mais ao adquirir os ingressos para o módulo completo. “Confiamos no projeto, na forma como ele foi concebido, e esperamos que os acadêmicos da Faculdade e da comunidade em geral abracem essa ideia, pois todos ganham”, finalizou Valmir Chiochetta Junior.

Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)/ AC Faculdade Mater Dei
Arte e logotipo: Lucas Piaceski
Assessoria de Comunicação

Christoferson Agência Audiovisual

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As bruxas me atraíram na Ilha da Magia

Pequeninas poções mirabolantes que estão incitando meu âmago deram forças para a ressurreição deste texto. Sempre fui apaixonada por bruxas e tudo que as envolve. Escrevi este conto memorial, originalmente, para a editoria Viaje com o Diarinho e ele foi publicado na edição 148 deste jornal infantil, de 27 de outubro a 9 de novembro de 2013. 

Encontrei-a na porta de um restaurante português
Chapéus grandes e pretos, rosto enrugado com verrugas, roupa escura e medonha. Risada de deboche e mãos que mais parecem garras. Elas são capazes de despertar em nós as mais estranhas curiosidades. Bruxas. Em janeiro de 2013, fiz com meus Lucas (marido e filho) um final de semana de turismo por Florianópolis, a capital de Santa Catarina, quando tive a oportunidade de tirar foto ao lado de uma bruxa muito alta e assustadora. Sim, veja na foto como ela tinha o chapéu amassado e até sorria, mas sua expressão revelava que talvez tivesse a intenção de me devorar. Olhe para meus olhos arregalados, acha que tive medo?
Fizemos o passeio a convite da minha professora de Literatura e doutora em Teopoética, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Salma Ferraz, que é escritora também e muito entendida sobre bruxas. Ela nos convidou para, no outro dia, ir conhecer a ilha dos açorianos, onde as lendas sobre as bruxas eram ainda mais fortes em Florianópolis, que também é conhecida como “a ilha da magia”. O mito da bruxa é tão antigo como a atual Santa Catarina. Acredita-se que as bruxas vieram para Florianópolis na época da colonização açoriana, de navio, quando estas, junto de escravos negros e pessoas doentes, eram banidas da Europa. Também se acreditava que a sétima filha mulher de um casal, seria bruxa, a menos que fosse batizada pela irmã mais velha.
No imaginário das crianças, a ideia das bruxas ganhou popularização com o Halloween, festa típica dos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido. Vemos casas velhas, abóboras e bruxas, como estas que escolhemos para ilustrar esta página. Os antigos contam que a bruxa era má. Suas vítimas eram sempre crianças (pense que assustador), animais pequenos e lavouras em crescimento. É o que dizem os moradores mais antigos na ilha.
Pagamos a passagem e entramos no barco para a viagem que durou cerca de meia hora em alto mar até atravessarmos da Barra da Lagoa da Conceição até a ilha dos açorianos. Chegando lá começamos a caminhar por entre as casinhas que tinham muitas ervas nos quintais. Conclui que as bruxas de lá eram iguais a essas que vemos nos desenhos, por conhecerem muito sobre as plantas e os seus efeitos no organismo. Meus olhos eram atentos para todos os lados para ver se encontraria alguma mulher assustadora saindo de trás daquelas casinhas. Quando erguíamos o olhar víamos muito mar e várias outras ilhas, que provavelmente, estariam cheias de outras bruxas. Depois de seguir trilhas, subir morros e andar por entre os lares e igrejinhas, paramos no deck de um restaurante à beira-mar para almoçar. Nenhuma bruxa apareceu.
Segundo os moradores da ilha, deve-se fazer a oração Pai-Nosso e Ave-Maria toda sexta-feira às 18h, e andar sempre com alho no bolso, para proteção, pois a bruxa de hoje não tem qualquer aparência especial. É uma mulher comum, que pode ser até uma moça bonita, não voa em vassoura e não tem chapéu pontudo. Segundo Franklin Cascaes (grande pesquisador das lendas de Santa Catarina) estas bruxas atuais são mais perigosas... que sorte eu tive ao tirar a foto ao lado de uma estátua.

Halloween

A Data de 31 de Outubro é mundialmente conhecida como "O dia das Bruxas ou Halloween" (nome original na língua inglesa). É um evento tradicional e cultural com origem nas celebrações dos antigos povos. A palavra tem origem na Igreja católica, da tradição contraída do dia 1 de novembro, o Dia de Todos os Santos. Os estudiosos dizem que é uma versão encurtada de "All Hallows' Even"(Noite de Todos os Santos), a véspera do Dia de Todos os Santos (All Hallows' Day). "Hallow" é uma palavra do inglês antigo para "pessoa santa" e o dia de todas as "pessoas santas" é apenas um outro nome para Dia de Todos os Santos. No século V DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado era Samhain, o Ano novo Céltico. Alguns bruxos acreditam que a origem do nome vem da palavra hallowinas - nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia). Com o tempo, as pessoas passaram a se referir à Noite de Todos os Santos, "All Hallows' Even", como "Hallowe'en", e mais tarde simplesmente "Halloween". O Halloween marca o fim oficial do verão e o início do ano-novo. Lá, celebra também o final da terceira e última colheita do ano, o início do armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis. Era uma festa com vários nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o escocês Hallowe'en. (Além da imaginação)

Importante: A foto é real e os desenhos da página Diarinho são ilustrações criadas pelos alunos Roselaine Camargo, Diana Marçal, Rauany V. F., Kamilli G. de Quadros e Vanessa Tabaka

Crítica literária: “Ela disse, ele disse”, de Thalita Rebouças

Cinco horas do domingo ensolarado são necessárias em média para se apoderar de tudo que “Ela disse, ele disse”, a história dos adolescentes Rosa e Leo, narradores-personagens criados pela brasileira Thalita Rebouças. Eles se intercalam dando suas opiniões sobre as mesmas cenas, no livro sem capítulos, mas alguma trama típica de quem viveu uma década e quase meia. É uma obra que mergulha no universo adolescente, com excesso de inseguranças, surtos e coisas “fofas”, palavra que ao terminar o livro, move-nos a curiosidade de perpassar as linhas para contar quantas dezenas de vezes apareceu. 
A meu ver, a história peca em descrições: desde o sobrenome de Rosa, a fisionomia dos protagonistas e o espaço em que convivem, algo que me parece tão caro para dar segurança aos adolescentes - observar muito as pessoas e o universo em que vivem. Contudo, “Ela disse, ele disse” promove um total mergulho no âmago dos adolescentes, trazendo à tona as maneiras tão diferentes de vivenciar o mesmo fato. Ele e ela têm visões diferentes, embora ambos sejam filhos de pais separados que também não ganham muita personificação na trama, em especial a mãe da moça. Qual é a sua profissão? 
Se Rosa manda no cenário no começo, depois é Leo que parece tomar as rédeas da narração e são com suas impressões que o livro termina. A mocinha também quase se torna uma coadjuvante perto de todas as investidas de sua rival, Julia, que faz de tudo para promover a expulsão dos dois da escola, por puro ciúme doentio. Mas é uma “fofa” história de amor que ensina muito de relacionamento interpessoal aos adolescentes! Ao terminar a obra sugiro a você, adolescente, responder: Como você se identifica com o que “ela disse, ele disse”? Qual personagem mais se parece com vc? A leitura é altamente recomendável. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

REPORTAGEM: Natal no Remanso da Pedreira dá presente para a vida de quem participa

Olhe para este rostinho. Gracioso. Estas duas bonecas serão as grandes companheiras desta menina linda, que sonha com um futuro onde ela possa ter felicidade, roupas bonitas, enfeites para o cabelo, comida saborosa, afeto, pais para ampará-la e dar-lhe exemplos sobre como superar. 
Esta garota é de sorte, por fazer parte do projeto Remanso da Pedreira, pois é quando ela se esquece das condições difíceis de residência que tem. Há pouco tempo, sua família morava à beira da rodovia federal (BR-158), próxima a pedreira. Eles então ganharam uma casa popular do município e seu dia a dia ficou menos arriscado.
Com ela que me deu esse lindo sorriso e outras 50 crianças que me encheram de perguntas criativas e carinhosas, passei boa parte da tarde desta terça-feira (17 de dez/13), neste lugar tão especial, por ser recheado de bons sentimentos, que fazem o contrapeso na balança das necessidades. 


Garota linda fez pose para a minha câmera, satisfeita dos presentes recebidos

Pés descalços correndo pelo gramado e cabelos balançado ao vento, mãozinhas dadas para o passeio e gritinhos agudos pela disputa do território tornam comovente uma visita ao Remanso da Pedreira, de Pato Branco. Buscando aproximar o brilho do Natal das crianças que lá frequentam, os acadêmicos do 4º período de Direito da Faculdade Mater Dei, manhã e noite, fizeram uma arrecadação de brinquedos, pelo segundo ano consecutivo. Levaram pacotes coloridos e saíram cheio de abraços e perguntas, pois o cenário criado na tarde desta terça-feira (17) foi de mutuamente um lado cuidar do outro. De um, a pujança social impulsionada pelo conhecimento, as inúmeras tarefas e responsabilidades. Do outro, a inocência mergulhada no carinho que emana da felicidade sincera por um presente. Quem precisa mais de quem? Pergunta difícil de responder.
Os acadêmicos levaram para as crianças a tarde inteira de brincadeiras, com lanche especial, e a presença aguardada do Papai Noel e da Mamãe Noel. Presentear uma criança é como lhe fazer um carinho. Eles se sentem lembrados e valorizados a cuidar de si mesmos. A coordenadora do Remanso da Pedreira, Solange Mackowiak Yamamoto lembra que a maioria das 33 famílias dessas 52 crianças que frequentam o projeto é desestruturada, por isto quem visita a instituição, sai mexido. “Na família, não existem muitos laços, nem muito afeto, carinho, contato físico ou diálogo. Aqui a gente tenta mostrar para eles este outro lado, fazendo com que dentro do Remanso eles sejam uma família e aprendam, entre eles, a ter esse contato físico de se abraçar, se respeitar, cuidar um do outro. Aprendendo e adquirindo aqui, quem sabe eles consigam levar para casa e transformar o lugar onde vivem.”

Presente trocado
Essas crianças sabem que em casa não haverá presentes, por isso a expectativa fica para receber no Remanso, nota Solange, para quem ficam sempre esperando que apareça alguém e faça a partilha. “Quem vem, tem a expectativa de entregar um presente para uma criança que vai ficar feliz. Aí quando recebem o carinho das crianças, esse afeto, sentem que a criança esperava mais que um presente. Eles queriam esse contato todo, o agradecimento, o chamar para brincar junto. Os acadêmicos ficaram comovidos e talvez para alguns seja um sentimento que ainda não tinham experimentado, por isto é uma grande lição”, completou Solange.
Quem confirma é a acadêmica Helen Karina Ilha, uma das que esteve à frente do grupo de arrecadação. “Eles são muito carismáticos e nos recebem com muito aconchego, amor e carinho. A gente vivencia tanta coisa no mundo lá fora, na correria do dia a dia, lida com outra realidade. Esta é a verdade. Quando a gente chega aqui, vê que pode se despir de tudo: de aparência, de pose, pois eles são muito autênticos. Vemos na curiosidade de perguntarem quem a gente é, o que a gente faz, como é a nossa casa, me perguntaram até se tinha piscina. Eles também têm essa necessidade de se aproximar de uma realidade que não é a deles. É uma troca muito gratificante. Isto não tem preço”.

Direito, e na prática
Estudantes de Direito, eles têm conseguido visualizar nas disciplinas regulares do curso, a pauta social para desenvolver este trabalho na prática. No primeiro ano, quem plantou a ideia de beneficiar uma instituição foi o professor de Sociologia, Marcio José Cavasini. “A ideia é a gente dar continuidade até o quinto ano e plantar esta semente nas futuras turmas que vão entrar. Minha filha será caloura do Direito e quero que ela veja o quanto é importante este projeto social”. Em 2013, o olhar se aguçou nas aulas sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o professor Raphael Adalberto Soares, o promotor de justiça. “Com ele também conseguimos vivenciar toda a realidade, necessidade, o quadro social das famílias carentes”, apontou Helen, acrescentando que na aula de Criminologia com o professor Cleber Rigailo, ele nos apresentou o projeto da Casa do Zezinho, no Rio de Janeiro. O Remanso da Pedreira se iguala a isso e a gente vê o quão importante é a criança estar aqui e não na rua. Criança na rua beira a marginalidade. Por isso, precisamos ajudar manter o projeto”, defendeu a acadêmica.
Pela sua relevância social, a ONG Remanso da Pedreira possui titulo de utilidade pública municipal, concedido pela Câmara de Pato Branco em 2009; título de utilidade pública estadual, concedido pela Assembleia Legislativa em 2011; e agora está em busca do título nacional e do apoio de um deputado federal, para acompanhar o processo.
A sede atual da instituição foi, no passado, um chiqueiro de porcos, no qual o casal Solange e Luciano Yamamoto adequaram para receber, desde 2007, os filhos das famílias recolhidas à beira da rodovia 158, que viviam em situação de risco. Após dois anos e meio de investimentos privados, estão finalizando a construção de uma sede própria para ampliar o atendimento e a dignidade. Fica na Estrada São Brás, km 2, acesso também pela BR-158, próximo à Granja Real. Trata-se de uma chácara com 34 mil m2, sendo 2.900m2 de área construída, distribuídos em seis blocos. Lá haverá da educação infantil, ao fundamental I, além dos diferenciais de preparação cidadã, próprios do Remanso da Pedreira.

Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)
Christoferson Agência Audiovisual

Papai Noel é uma "lenda viva" que sempre ajudarei a cultivar 



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Remanso da Pedreira: kits escolares dão perspectivas para colorir futuros

Em reportagens como esta, visitando trabalhos como o do Remanso da Pedreira, é que tenho orgulho em ser jornalista e educadora! Vivi momentos especiais na tarde deste 5 de dezembro de 2013.



Acadêmicos do 6º período de Sistemas da Informação Mater Dei fazem da atividade de sala de aula uma extensão social

Cada pasta transparente ou colorida trazia mais que uma caixa de lápis de cor, dois cadernos, apontador, régua, lápis e borracha. Traziam consigo o gostinho do “presente”, do se sentirem valorizados e de terem o compromisso de estudar em busca de um futuro promissor. Com o material que, no final da tarde chuvosa desta quinta-feira (5) trouxe o sorriso, eles poderão colorir o futuro. Foi com esta sensação que os acadêmicos do 6º período de Sistemas de Informação da Faculdade Mater Dei saíram do Remanso da Pedreira, após a visita na qual entregaram à coordenação da casa e às crianças, 51 kits de materiais escolares comprados e montados pelos próprios alunos. A atividade foi proposta pelo professor Anderson Fernandes, na disciplina de Sistemas Distribuídos.
Os acadêmicos Bruno José dos Santos, Cezar Augusto dos Santos, Helen Grace Bianchini e Matheus Spanholi fizeram a linha de frente das arrecadações. Na tarde desta quinta, Bruno foi acompanhado dos colegas Leonardo Maciel e Rafael Batistella, fazer as entregas. A organização não governamental (Ong) Remanso da Pedreira atende atualmente 51 crianças, de dois a 12 anos desde 2007, tendo à frente o casal Luciano Yamamoto e Solange Mackowiak Yamamoto.  
“A gente está num momento de grandes transformações agora. Após seis anos trabalhando nesta estrutura, finalmente estamos conseguindo concluir a construção de uma estrutura própria para atendê-las com mais qualidade. Foram seis anos de muita dificuldade aqui onde estamos hoje. Além da transformação estrutural, a gente se sente gratificado em ver a transformação na vida das crianças que já passaram por aqui e já saíram, bem como das que aqui ainda estão”.
Solange percebe que a sociedade também acolhe cada vez mais a instituição.  “Isso faz toda a diferença, pois todo início de ano temos uma despesa muito grande para poder fornecer todo o kit de materiais necessários para as crianças frequentarem a escola regular e fundamental. Nós sempre fizemos esse trabalho dando essa assistência e durante muitos anos tivemos que comprar e montar os kits. Com a expansão do trabalho e o reconhecimento e agora, com a divulgação, temos recebido esse tipo de auxílio como o dos meninos de Sistemas da Informação, que se mobilizaram e fizeram toda essa campanha para nos ajudar nesta parte de material escolar”.
A maioria das crianças que frequenta o Remanso vem com histórico familiar conturbado. “Eles chegam com alguns transtornos, principalmente de comportamento. Ao longo do tempo que elas vão passando aqui dentro e desenvolvendo as atividades e os acompanhamos em todas as dificuldades, sentimos que eles vão encontrando o equilíbrio e tudo vai se transformando: o comportamento, a disciplina, a alegria e bem-estar, sentimos as transformações em todos os sentidos”, listou.

Aprendizado
O acadêmico Bruno José dos Santos disse que foi gratificante fazer este trabalho social: “estamos ajudando várias pessoas que necessitam de material escolar e não é só pelo trabalho de sala de aula, mas pela felicidade das crianças em estar recebendo o material, a alegria delas. O material não é uma muito, mas já os ajuda bastante no ano letivo. Diretamente, nosso curso tem pouca relação com este ato, pois na tecnologia já se corta o lápis, não se escreve mais, usamos um caderno na matemática e no português. A relação direta com eles é realmente emotiva, o que nos deixa realizados”. Seu colega, Rafael Batistella, revelou estar maravilhado. “O trabalho que a Solange faz aqui são poucos os que fazem. Acho que até a prefeitura de Pato Branco deveria dar mais valor a pessoas como Solange que fazem este trabalho. O pessoal deve vir conhecer, pois é gratificante. O que fizemos aqui hoje é muito bacana”.

Mais ajuda
A Faculdade Mater Dei levará ainda brinquedos de Natal, a partir da campanha do 4º período do curso de Direito, que está arrecadando até o próximo dia 13.  “As crianças sempre têm uma  expectativa grande com presentes e, graças à Deus, sempre temos tido parceiros nos ajudando neste sentido. A Mater Dei mais uma vez, no dia 14, vai ser o papai Noel de nossas crianças. Temos algumas pessoas que nos procuraram e se propuseram a trazer atividades interativas e brinquedos para as crianças”.
Para doar, os interessados podem ir pessoalmente à instituição, na Rua Ivaí, 2.900, bairro Pinheirinho, com acesso pela BR-158 logo após a Inplasul, ou pelos telefones 3225 4662 e 9976 8112, falando com a Solange ou outra colaboradora da instituição. Visitas podem ser feitas de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h.
A previsão é iniciar 2014 na nova sede, que fica na Estrada São Brás, km 2, acesso também pela BR-158, próximo à Granja Real. Trata-se de uma chácara com 34 mil m2, sendo 2.900m2 de área construída, distribuídos em seis blocos. A obra começou há dois anos e meio e deve conseguir acolher 165 crianças, mais que triplicando a frequência atual. A lista de espera chega a 200 crianças, todas em situação de pobreza e recente risco social.

Daiana Pasquim (DRT/PR 5613)/ AC Faculdade Mater Dei
Fotos: Lucas Piaceski
Assessoria de Comunicação
Christoferson Agência Audiovisual




DIARINHO: Roda de Conversa (Edição 150 – 24 de novembro a 10 de dezembro de 2013)

Roda de conversa, sem preconceitos

Comece amanhã a vencer dentro de você o preconceito que está se formando, para que ao crescer, este não se torne um “preconceitão”. O que posso fazer lá na minha escola para combater o bulliyng e todo tipo de preconceito? Devemos nos colocar no lugar da pessoa que a gente despreza. Este foi o “coração” da mensagem que o bispo da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão, dom José Antônio Peruzzo, repassou às crianças do Diarinho no encontro do dia 21. Após tê-las convidado a se aproximar e sentar-se ao chão, o religioso e as crianças conversaram com liberdade e simpatia.

Editorial
Natal e a despedida deste ano

Os melhores sentimentos de ternura, respeito para com o próximo e até de saudade estão nesta edição, a última do ano de 2013. No encontro de novembro, no dia 21, nosso projeto recebeu a visita do bispo da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão, dom José Antonio Peruzzo, que passou uma mensagem com muita proximidade às crianças. O principal aprendizado foi o “respeito”, levando as crianças a uma reflexão: “o que posso fazer lá na minha escola para combater o bulliyng e todo tipo de preconceito?”
O ano realmente está chegando ao fim. O ano escolar está quase lá. Nós aqui no Diarinho estamos nos preparando para os últimos momentos, o último encontro do ano de 2013, mais uma vez no auditório do Sesc Pato Branco, no dia 5 de dezembro. É quando cada criança participante do projeto receberá o seu diploma como editor mirim suplente ou editor mirim titular. Assim, elas podem guardar a prova para toda a sua vida, além da suave e agradável lembrança no coração.
Um assunto interessantíssimo ao universo infantil que está nesta edição é o Natal. Ele está demonstrado principalmente no Mural Natal e Mural de Desejos, lugar onde suas frases demonstram que os símbolos, de paisagem ou religiosos, bem como os de respeito, andam bem “presentes”. A simbologia é tão forte que, mesmo para as crianças da América do Sul, os desenhos de Natal tem que ter neve e seus bonecos, sobrevoados pelas renas e o trenó cheio de presentes.

Tem também “passatempo” de Natal e algumas curiosidades. Então aproveite, pois esta é a última edição do Diarinho no ano de 2013. 









Errata na página 8, esta pesquisa e material foi preparada pela Escola Municipal Maria Jurema Ceni, e não pela Pequeno Príncipe, como publicado. Minhas desculpas... 
:) grandioso trabalho!

Textos e pesquisa: Daiana Pasquim
Arte-final e ilustrações: Lucas Piaceski
Christoferson Agência Audiovisual